sexta-feira, 30 de julho de 2010

OS BASTIDORES DA "VOZ DO BRASIL"

Quem de nós brasileiros ainda não ouviu a frase: "Em Brasília, 19 horas."? É a Voz do Brasil, o programa oficial do governo nacional transmitido pelo rádio.

Surgiu no dia 22 de julho de 1935, com o título Programa Nacional. Criado por Getúlio Vargas, se tornou obrigatório a partir de 1838, quando foi rebatizado para Hora do Brasil.

Inicialmente o programa divulgava temas considerados importantes da história do Brasil, como a Escravidão e a República.

Naquela época era comum os governantes usarem o rádio para a divulgação de seus projetos ideológicos. E Getúlio Vargas julgou que iria funcionar no país. O então presidente pretendia fomentar a devoção cívica e o interesse pela música.

O resultado não foi o esperado. Na década de 40, considerada a Era de Ouro do rádio nacional, o programa foi apelidado de Fala Sozinho. A fim de passar a ideia de que o programa era bem ouvido, havia enquetes de opinião na então capital federal. Mas não vingou.

A partir de 1962 passou a divulgar temas do legislativo (antes somente o executivo tinha vez no programa), quando recebeu seu último título: A Voz do Brasil.

Jânio Quadros transferiu a produção do Rio de Janeiro para Brasília. Notícias extraoficiais dão conta de que ele o fez para que pudesse enviar, de última hora, os famosos bilhetinhos aos editores do programa.

O então presidente Jânio Quadros ficou conhecido por gostar de enviar bilhetes a seus subordinados. Muitos desses bilhetes revogavam os anteriores. Quando recebia uma correspondência formal de um dos Ministérios, ainda assim - às vezes - respondia através de bilhetes.

Durante a Ditadura Militar o programa recebeu forte censura. Por causa dos baixos índices de audiência, a partir da década de 90 passou a ser retransmitido por várias emissoras de rádio em todo o país.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

FAMOSO PADRE INSUFLOU GOVERNO PORTUGUÊS A CRIAR, NO BRASIL, O QUINTO IMPÉRIO MUNDIAL

Antônio Vieira é um dos padres mais conhecidos de todos os tempos. É famoso seu trabalho em prol dos direitos dos índios e dos judeus, bem como dos cristãos-novos (judeus convertidos ao cristianismo).

Por volta de 1640, um grupo de conselheiros reais, preocupados com as permanentes ameaças à autonomia de Portugal, sugeriu ao rei que fosse criado um império nas Américas.

Padre Antônio Vieira tinha bastante interesse neste projeto. Com base no livro bíblico de Daniel, do VelhoTestamento, ele deduziu que o texto do segundo capítulo era de caráter messiânico e apontava para o surgimento de um quinto império.

O monarca português foi, deste modo, influenciado a criar um reino messiânico. A pressão tinha conotação política e religiosa. Aquela por causa de ameaças à soberania portuguesa; esta por se acreditar no texto bíblico, até porque o país era muito católico.

Segundo o mesmo padre, Portugal estava destinado por Deus a criar o Quinto Império. Os quatro anteriores teriam sido, pela ordem: Assírios, Persas, Gregos e Romanos.

Como Antônio Vieira tinha uma paixão especial pelo Brasil, somado com o fato deste ser a principal colônia portuguesa, certamente a sede desse Reino seria no Brasil, provavelmente em Salvador.

Padre Antônio Vieira acreditava ter chegado a hora dos portugueses governarem o mundo, sob a bênção de Deus, cujo apoio estava nos textos canônicos.

Tal pensamento fez com que a Inquisição investigasse o sacerdote, cuja censura veio em seguida, pelas mãos do papa.

O projeto não vingou, nem o cumprimento messiânico.

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

COAGIDOS PELO PRÓPRIO JUDICIÁRIO, COMERCIANTES BRASILEIROS ERAM OBRIGADOS A CONTRIBUIR COM DINHEIRO PARA IRMANDADE CATÓLICA

Crescemos ouvindo que São Jorge está na lua montado em seu cavalo branco, disputando uma batalha contra um poderoso dragão. E ninguém menos do que os homens medievais para temerem os valentes e malditos dragões.

A adoração ao santo tem origem na Idade Média, embora ele tenha morrido no séc. IV d.C. É patrono de vários países da Europa, inclusive Portugal, de quem herdamos -principalmente o Rio de Janeiro -, as crenças e liturgias em torno do santo.

No século XVIII já existiam, no Rio de Janeiro, irmandades que levavam o nome de vários santos católicos, sendo um deles São Jorge. No mesmo século, já era considerado o principal santo do Rio: liderava as procissões, inclusive do Dia de Corpus Christus.

Uma das regras da instituição assegurava que "todos os mestres que tivessem loja aberta dos ofícios anexos à mesma irmandade, ou seja, os de serralheiro, ferreiro, cuteleiro, espingardeiro, latoeiro, funileiro, ferrador, espadeiro, dourador e barbeiro" estavam obrigados a ingressar na irmandade.

Para fazer parte, o futuro membro deveria pagar uma taxa de adesão, outra de exame e ainda pagaria uma anuidade.

Somente no final do século XVIII é que ficou acertado todo o ritual de adoração e o rico adorno que o santo deveria usar no dia da festa oficial, 23 de abril.

Nesta data, dois dos lojistas eram cuidadosamente selecionados para seguir o santo em todo o trajeto. Se por acaso eles recusassem, seriam expulsos, coagidos a pagar uma multa e ainda estariam no dever de pagar a anuidade, mesmo não pertencendo mais à irmandade, caso pretendessem manter a loja aberta.

No início do século seguinte, ao invés das penas serem abrandadas, elas se tornaram mais pesadas. Quem desobedecesse e se negasse a ir à procissão seria preso e em seguida se tornaria alvo de um processo de execução de cobrança, sem direito a sair da prisão até que pagasse toda a dívida.

O juiz e o escrivão eram encarregados de fiscalizar o cumprimento, não somente da participação na procissão, mas o da execução de cobrança também. Ou seja: o Judiciário acusava e ele mesmo julgava.

Isto mostra a completa dependência do Judiciário em elação ao Estado e por conseguinte à religião abraçada pelo Estado brasileiro da época, que por sinal ainda era colônia.

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terça-feira, 27 de julho de 2010

OS LIVROS CONVENCIONAIS ESCONDEM, MAS ARISTÓTELES SUICIDOU-SE

Com exceção de poucos adeptos em toda a história da humanidade - como os cátaros -, o suicídio foi e continua sendo visto como um ato de fraqueza. Quem se suicida passa a ideia de que não foi capaz de vencer os problemas que o levaram a este fim.

A biografia que nos é passada sobre Aristóteles nos livros convencionais, em alguns livros sobre a história da filosofia e até mesmo em enciclopédias virtuais - como wikipedia -, não trata da causa da morte do filósofo. Apenas estes livros afirmam que morreu doente.

Mas Aristóteles tirou a própria vida.

O que você lerá adiante é um breve histórico do contexto da época e dos motivos que levaram o filósofo ao suicídio.

Alexandre, O Grande, por ser macedônio, nunca foi benquisto pelos atenienses, amantes da liberdade. Aristóteles havia sido professor de Alexandre, a convite do pai do monarca. Isto já criou certa indisposição dos atenientes com o filósofo.

Embora professor e aluno tivessem tido sérias discussões por causa do assassinato do sobrinho daquele - a mando deste -, Aristóteles sempre defendeu Alexandre e via nele o político apto a unificar a Grécia, um sonho do filósofo, pois acreditava que a cultura e a ciência iriam florescer quando ocorresse esta unificação.

Em meio a toda essa celeuma, os atenienses ficaram desgostosos ainda com os dois depois que Alexandre mandou erguer uma estátua de Aristóteles no coração da hostil Atenas.

Os alunos de Platão (que já era falecido) que frequentavam a famosa Academia, juntamente com os alunos da escola retórica de Isócrates e com a multidão empolgada com os discursos eloquentes de Demóstenes, faziam campanha para que o filósofo fosse exilado ou condenado à morte.

Repentinamente morre Alexandre. Atenas faz festa. Aristóteles viu-se desamparado. O sucessor de Alexandre - que era amigo de Aristóteles -, marcha contra Atenas e faz crescer a fúria ateniense. Um sacerdote apresentou uma queixa formal contra o filósofo, dizendo que ele ensinava que orações e sacrifícios de nada serviam. Acobertado pela lei local, prefere o exílio.

Foge alegando que não iria dar a chance de Atenas pecar pela segunda vez contra a filosofia (falava da condenação de Sócrates).

Adoeceu no exílio.

Diógenes Laércio, um biógrafo dos antigos filósofos gregos que viveu no terceiro século depois de Cristo, registrou que, decepcionadíssimo com os últimos acontecimentos em sua vida, o velho filósofo grego suicidou-se bebendo cicuta.

Esta omissão nos livros de história pode revelar a tendência em manter o engrandecimento do nome de um dos filósofos mais queridos de todos os tempos.

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

EMBORA CHAMADO DE ATEU, O FAMOSO SÓCRATES NÃO ERA PARTIDÁRIO DO ATEÍSMO

Há quem se pronuncie no sentido de elencar o dito filósofo no rol dos famosos ateus. Uma revista especializada em história chegou a publicar uma matéria relatando Sócrates como um ateu.

A associação do filósofo com o ateísmo pode ser pelo fato dos gregos terem passado à história como uma sociedade pensante, racional, enquanto esta condição é contraposta à religiosidade.

Mas ele não foi ateu.

Sócrates foi julgado por 500 juízes e condenado a beber cicuta por dois motivos especiais.

O primeiro motivo tem ligação com o que ocorreu nos anos 411, 404 e 401, quando houve diversas tentativas de golpe contra a democracia ateniense, todas sem êxito. Dentre os principais elementos envolvidos nessa tentativa estavam os discípulos diretos de Sócrates. Vale lembrar que o sistema democrático apresentado pelos gregos nunca foi bem visto pela “trindade” da filosofia grega (Sócrates, Platão e Aristóteles), visto que, segundo os três, somente filósofos deveriam gerir o Estado.

No entanto, a democracia permite que ascenda ao poder qualquer do povo, guardadas as condições mínimas para tal intento. O fato dos discípulos de Sócrates se envolverem na tentativa de golpe levou o Estado a julgar que o preceptor dos mesmos (ou seja, Sócrates) fosse o grande responsável por aquela situação.

O segundo motivo da condenação aponta para o fato de Sócrates ter blasfemado contra os deuses gregos, mas não pelo fato dele ser descrente com relação a esses deuses; muito pelo contrário: Sócrates era crente em Zeus e, dos escritos que há acerca do filósofo, é possível ver claramente que ele se reporta de modo exaustivo a fatos de ordem espiritual, de cuja crença nunca se desgarrou. Estava certo de que gozaria de paz eterna ("... todo o longo discurso que acabo de fazer para vos demonstrar que, ao beber o veneno, não permanecerei convosco, mas que vos deixarei e irei gozar felicidade e bem-aventurança...")

Na verdade, o real motivo da acusação de blasfêmia é pelo fato dele ter afirmado que tinha um oráculo pessoal, comunicação direta com Delfos, algo não aceito na religião grega.

Veja as palavras de Sócrates ditas minutos antes de beber a cicuta:

"Mas ao menos é permitido, como na verdade é dever, orar aos deuses, para que bendigam nossa viagem e a tornem feliz. Isso é o que lhes peço e assim seja."

Incrivelmente, apesar de todo o saber que lhe é atribuído, não se separou das crenças relacionadas aos deuses gregos. Sócrates nem era ateu nem deísta. Era teísta convicto.

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domingo, 25 de julho de 2010

COMPLETAMENTE ENTREGUE AO JOGO, COMANDANTE DE EXÉRCITO PERDE A BATALHA E A PRÓPRIA VIDA

O feito ocorreu em 1776, nos Estados Unidos. O evento envolvido é a Guerra da Independência americana.

Na luta contra os ingleses, o Exército de George Washington (que adorava jogar xadrez) estava, a certa altura da guerra, em desvantagem e ameaçado de derrota.

Convictos da possibilidade de independência - eram colônia dos ingleses -, os americanos decidiram surpreender seus adversários na cidade de Trenton, em Nova Jérsei. Um simpatizante dos ingleses soube do plano e redigiu um bilhete para que fosse entregue ao comante da tropa britânica.

Ao receber o bilhete o comandante estava jogando uma partida de xadrez, seu jogo predileto. Totalmente concentrado na partida, o líder inglês colocou o bilhete no bolso e se esqueceu de ler.

Resultado: foi morto numa emboscada pelos soldados de Washington, sem ter lido o bilhete.

Fato semelhante ocorreu com o conhecido Júlio César, general romano, líder do Primeiro Triunvirato.

Os senadores romanos planejaram seu assassinato, que deveria ocorrer dentro do próprio Senado. Um cidadão romano tomou conhecimento do plano e escreveu um bilhete, entregue ao general antes dele chegar ao local do crime.

Júlio César guardou o bilhete no bolso e não o leu. Foi morto por vários senadores, conforme estava escrito.

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

PRISÃO E VANDALISMO MARCARAM ATOS DE XENOFOBISMO NO CEARÁ DOS ANOS 40

Tomaremos, aqui, o significado de xenofobismo como sendo a aversão a estrangeiros, não por questões de cor, raça ou credo, mas por questões ideológicas, as quais serão melhor esclarecidas abaixo.

No começo da década de 40 o Ceará registrou prisões, passeatas e atos de vandalismo contra pessoas e empresas eventualmente simpatizantes do nazismo e do facismo. Alguns dos suspeitos eram rotulados, inclusive, de serem agentes secretos dos referidos regimes.

Imigrantes (residentes no Ceará) vindos da Itália, Alemanha, Japão e de seus aliados eram vulgarizados, insultados e, nos casos mais extremos, chegavam a ser presos.

Em 1942 um alemão que vinha de trem do Crato (CE) para Fortaleza foi preso na Estação Ferroviária da cidade de Senador Pompeu (CE) porque carregava uma amplificadora potente. Desconfiava-se que o aparelho seria utilizado para divulgar ideias nazistas.

Pouco tempo depois, na capital cearense, moradores tocaram fogo numa loja das Casas Pernambucanas. Como o proprietário era um sueco - embora a Suécia foi neutra na guerra -, populares julgaram que o dito país europeu fosse favorável ao grupo do Eixo (Itália, Alemanha e Japão).

Em Fortaleza foram realizadas passeatas contra o nazismo e facismo, cujo alcance do movimento atingia ainda as empresas oriundas dos países que abraçaram os dois regimes.

Era comum proprietários de lojas lançarem notas nos jornais cearenses explicando que, embora seus nomes fossem de origem europeia, eles, no entanto, eram nascidos brasileiros, por cujo país nutriam simpatia e lealdade.

As desconfianças partiam, talvez, pelo fato de conhecidas multinacionais carregarem, em seus históricos, papéis ideológicos ligados aos interesses nas duas Grandes Guerras.

Empresas como Siemens, Fiat, Krupp e Mitsubishi de algum modo se relacionaram com fatos que levaram à Segunda Guerra, seja porque forçavam seus respectivos governos a expandirem os mercados comerciais, seja porque tinham interesse no endurecimento do binômio trabalhador x patrão.

Fortes grupos empresariais europeus chegaram a financiar tais regimes absolutistas.

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

O PRIMEIRO TEATRO DA AMÉRICA DO SUL PERTENCE AO BRASIL E FOI IDEALIZADO POR UM CORONEL

O primeiro teatro da América do Sul foi construído no Brasil, em Minhas Gerais, cuja inauguração se deu em junho de 1770.

Chamava-se Casa da Ópera de Vila Rica. Localizado na histórica Ouro Preto, ainda hoje permanece imponente e em atividade.

Seu construtor e proprietário foi um coronel e comerciante da antiga Vila Rica, declaradamente amante da vida teatral.

O idealizador conseguiu o apoio de pessoas ricas e influentes da velha cidade mineira, entre as quais estavam magistrados e militares de alta patente a fim de colocar em prática seu audacioso projeto.

João de Sousa Lisboa (o idealizador da obra) se vangloriava por ter introduzido no teatro de sua cidade mulheres no papel de atrizes, as quais substituíram os costumeiros requisitados travestis.

Assim como no antigo teatro grego, as mulheres não tinham participação nas peças, sendo os papéis femininos representados por homens vestidos de mulher.

Mas Sousa Lisboa conseguiu quebrar esse tabu (em outros países já havia atrizes). Sentiu-se feliz por essa proeza. Tal contentamento se comprovou numa carta que ele enviou a um amigo residente em Goiás, com quem compartilhou sua felicidade.

Chegou a afirmar ainda que havia mulheres que atuavam com grande primor, revelando, assim, o talento feminino. Após sua morte o teatro passou por altos e baixos. Sessenta anos depois de sua inauguração, as sessões passaram a ser semanais, tamanho o sucesso entre os mineiros.

Com a ascensão e a popularização da fotografia (final da penúltima década do século XIX) e o advento do cinema (final do século XIX), o teatro perdeu um pouco de seu encantamento, embora sempre ativo.

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

A PRIMEIRA VÍTIMA DA INQUISIÇÃO NO BRASIL

Ocorreu no final do século XVI (por volta de 1591) a primeira visita da Inquisição ao país. No Brasil a instituição não estava oficialmente instalada, cuja jurisdição pertencia ao Tribunal de Lisboa.

As Capitanias de Pernambuco e da Bahia foram, de início, aquelas que registraram as grandes brutalidades da Inquisição no país.

Uma moradora do Recôncavo Baiano teria sido a primeira vítima do Santo Ofício no Brasil.

Considerada cristã-nova (judeus convertidos à força ao catolicismo), era casada com um judeu que se dizia descendente dos macabeus, nome de uma tradicional família de judeus que liderou uma revolta no II século a.C., de cujo movimento surgiu uma poderosa dinastia judaica.

Os inquisitores teriam vindo ao Brasil inspecionar como andava a fé dos brasileiros e dos novos cristãos. Receberam denúncias de que a mártir ora praticava rituais católicos, ora judaicos. Quando esteve doente, apresentaram a ela um crucifixo, tendo a mesma fechado os olhos para não presenciar o símbolo católico. Tal postura era um insulto e um pecado grave.

Foi enviada à capital portuguesa, onde ficou presa numa câmara comprada especialmente para ela, tendo chegado a falecer na referida prisão, com mais de 80 anos de idade.

Seu processo continuou tramitando, sendo condenada à fogueira, mesmo estando enterrada havia mais de 10 anos.

Seus ossos foram desenterrados e queimados. O Santo Ofício mandou produzir uma imagem representando a "infiel" sendo atormentada no inferno, cercada por demônios, cuja imagem fora afixada na porta da igreja onde ela residia no Brasil. O objetivo era amedrontar eventuais desobedientes à Santa Inquisição.

A imagem fora posteriormente roubada, mas a sanha do inquisitor foi além: condenou filhos e netos da mártir, que se chamava Ana Rodrigues.

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terça-feira, 20 de julho de 2010

POLÍTICO BRASILEIRO FALA ERRADO PROPOSITADAMENTE PARA SEDUZIR ELEITORES MENOS ESCLARECIDOS

Todo político tem suas artimanhas para se sair vitorioso em uma campanha eleitoral. Disso ninguém duvida. Vale tudo mesmo: apertar a mão do trabalhador, prometer empregos, tapinhas nas costas, caminhar junto ao povo . . . e por aí vai.

Ninguém melhor do que os chamados políticos populistas para explicar bem como tudo isso funciona na prática. Então vamos resgatar um pouco a história de um dos políticos mais populistas que o Brasil já teve.

Ele foi governador por duas vezes, uma vez deputado e duas vezes derrotado para presidente da República.

Quando dava uma entrevista no programa "Palestra ao Pé do Fogo" - um precursor do atual "Café com o Presidente" - falava errado de propósito somente para atrair a simpatia do eleitorado do interior, pois pensava que seria compreendido pelos menos escolarizados.

Suas pérolas não param. Certa vez o presidente da República se dirigiu a ele a fim de saber as horas. Bajulador notório do presidente, respondeu o seguinte:

"As horas que o senhor desejar."

Habilidoso nos discursos, mas afeito à quebra do protocolo, costumava finalizá-los com alguma piada, de modo a levar os ouvintes a um momento descontraído (mas de olho no voto). Num desses discursos, onde estavam presentes grandes autoridades do país, resolveu inovar nas brincadeiras, com um certo exagero.

Perguntou ao público como se pronunciava em japonês o nome Eurico Dutra (presidente da República entre 1946 e 1951). Diante das respostas negativas, bradou em bom som:

"Chama-se Konku Nakara".

Depois encerrou o discurso dando gargalhadas.

O presidente da República a que nos referimos é Getúlio Vargas e nosso populista em questão é Ademar de Barros, que foi interventor, governador e deputado estadual paulista. Perdeu duas eleições presidenciais, uma para Juscelino e outra para Jânio Quadros.

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segunda-feira, 19 de julho de 2010

IMORTAL DA ACADEMIA FRANCESA VISITA AMAZÔNIA E DECEPCIONA PÚBLICO EUROPEU AO SUSTENTAR MITOS E LENDAS DO BRASIL

Até os imortais têm defeitos. Já vimos em outro momento que o conhecidíssimo Voltaire era brigão, marrento, um pouco trapaceiro, e ainda chegou a mentir para entrar na Academia Francesa (ocupou a cadeira 33, em 1746).

Desta vez vamos falar de um outro imortal, amigo não somente de Voltaire, como também de outros nomes famosos da elite intelectual francesa, como Diderot.

Próximo da metade do século XVIII uma comitiva francesa se dirigiu à região amazônica a fim de proceder a várias pesquisas, dentre as quais verificar a circunferência da Terra, daí porque optaram pela exploração da linha do Equador.

Dos acadêmicos franceses, um se dedicou especificamente à pesquina natural, bem como aproveitou para estudar os índios amazônicos.

E elite intelectual europeia - principalmente a francesa - achou que a expedição à América do Sul iria desvendar lendas e mitos que recheavam o imaginário dos viajantes. Naquele tempo a Europa estava infestada de relatos fantasiosos que partiam do Brasil e dos demais países das Américas.

Mas Charles-Marie de La Condamine (que ocupou em 1760 a cadeira de nº 23 da Academia) não superou as expectativas europeias. Quando chegou a Paris, o acadêmico deu uma palestra para um público elitizado e sedento por ouvi-lo; mas o imortal entreteve o público com conversas que só aumentaram as crendices em voga naquele momento.

Perguntado sobre a cidade do El Dorado e sobre as famosas guerreiras Amazonas, La Condamine deu a entender que ambas eram reais. Tomou como base relatos indígenas, os quais, como muitos da época, também criam em lendas e mitos.

O imortal francês também agiu de má fé: apoderou-se de pesquisas feitas antes dele, as quais foram apresentadas como sendo de sua autoria. Uma destas pesquisas (feitas por um jesuíta suíço) ficou em poder do francês para que ele a publicasse posteriormente, cuja missão ele não cumpriu.

E o pior: o acadêmico passou uma péssima impressão dos índios brasileiros. Afirmou que os nativos eram mentirosos, crédulos, inimigos do trabalho, bem como incapazes de reflexão.

Finalizou dizendo que os índios levam a vida sem pensar, pois eram como crianças a vida inteira, de cuja idade nunca se apartavam, mesmo quando adultos e velhos.

Bastaram dois séculos para o antropólogo - coincidentemente um acadêmico francês - desmentir a tese de La Condamine sobre os índios e sua cultura. Estamos falando de Claude Lévi-Strauss, que ocupou a cadeira 29, em 1973.

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domingo, 18 de julho de 2010

SOBRINHA ANÔNIMA FAZ CARINHO EM TIO FAMOSO A FIM DE SE CASAR COM ELE E SE TORNAR CÉLEBRE E PODEROSA

Hoje é comum ouvir de uma jovem o desejo de se tornar atriz, cantora, enfim: virar celebridade. Não somente as novelas mas também revistas especializadas insuflam os jovens em busca da fama, do prestígio, do poder.

Fama e poder não são novidades para o mundo atual. É seguro dizer que os dois objetivos em questão são encontrados em relatos históricos desde que o mundo é mundo.

Na Idade Antiga o incesto, o homossexualismo e a pedofilia eram comuns, comportamentos estes duramente combatidos nos círculos atuais.

Existiu um homem muito conhecido em seu tempo que chegou a se casar quatro vezes (algo natural para a época e o país em que viveu).

Chegou a ter duas noivas. Repudiou a primeira (que era virgem) por razões políticas. Perdeu a segunda, pois a pretendida faleceu no dia do casamento.

Casou em seguida. Separou-se por questões de adultério (fora traído). Casou-se novamente, mas se separou logo, por pequenas ofensas (a legislação o permitia).

Seu terceiro casamento se deu com uma prima, de 15 anos, que o traiu inúmeras vezes, o que resultou no assassinato dela, a mando dele.

Ele havia prometido que não mais se casaria e pediu a seus subordinados que o matassem, caso ele voltasse a se casar novamente, pois estava convicto de que não nascera para o casamento.

Três pretendentes se aproximaram dele. Sua sobrinha ganhou das concorrentes. Costumeiramente ela o acariciava intimamente, a fim de se casar com o poderoso tio. E conseguiu.

Habilidosa, ela o convenceu a corromper o Senado para que dissimuladamente o obrigasse a se casar com a sobrinha. Assim foi feito. O Senado fora subordinado e cumpriu fielmente com o acordo.

Na verdade o Senado foi além: aprovou uma lei que autorizava o matrimônio incestuoso. Não prosperou, pois teve a adesão de poucos cidadãos.

O nome dele é Tibério Cláudio (imperador Cláudio), que reinou de 41 a 54 d.C. Sua sobrinha era a desconhecida Agripina, a Menor, filha do conhecido Germânico, homem muito amado pelos romanos.

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sábado, 17 de julho de 2010

UM BREVÍSSIMO RELATO SOBRE COMO O GIGANTISMO FOI VISTO NO DECORRER DA HISTÓRIA

Homem com 1,90 metros de altura. Assim era Golias, segundo a narrativa bíblica. Embora não haja indícios de sua comprovação histórica, não é de todo descartada a sua existência.

O primeiro e o mais famoso dos gigantes foi o principal personagem na luta entre filisteus e o povo de Israel.

Até recentemente, com o avanço das pesquisas médicas, os gigantes sempre foram vistos como grandes lutadores, como homens de força e de coragem.

Em 1892, nasceu, no Brasil (Rio Grande do Sul), um dos mais notórios gigantes brasileiros. Sua notoriedade não se deveu nem tanto pelo tamanho (2,17 metros de altura e sapatos tamanho 56), mas pela repercussão na cultura e nos círculos médicos do início do século XX.

Desde cedo ele foi contratado para os trabalhos braçais porque se acreditava na proporcionalidade entre tamanho e força. Por sinal, em muitos ainda estava em voga a crença de que pais fortes dariam filhos fortes . . . e assim por diante.

O gigante gaúcho trabalhou muitos anos em vários circos brasileiros. Antes do Brasil, os Estados Unidos já requisitavam homens altos para que compusessem o elenco circense, ante a comprovação do sucesso entre seus espectadores.

Até a década de 40 passada eram comuns os grandes espetáculos nos circos dos Estados Unidos utilizando a presença de gigantes. Esses personagens eram fotografados e viravam capa de revista e de cartões-postais.

O Brasil fez o mesmo com o gigante gaúcho, que acabou chamando a atenção da imprensa e da medicina.

Em 1921 médicos estudaram o gigante gaúcho. Ficou constatado que ele sofria de mal-estar, de fraqueza e de constantes desmaios. Pesquisas posteriores confirmaram os resultados iniciais.

Ao lado de Golias, talvez seu maior concorrente - em termos de notoriedade - tenha sido um gigante paraguaio, que por volta de 1735 atormentava os fiéis católicos de Assunção, quando costumeiramente urrava nas portas da Matriz de Santa Sé daquele país, representando os pecados do povo. Diz-se que o gigante tinha pernas muito finas e muito compridas, tudo isso somado à sua pele, notoriamente estranha à pele humana, o que causava mais espanto a um povo recheado de lendas e misticismos.

Assim como no tempo dos velhos gregos e romanos, o gigantismo ainda é visto por muitos como uma anomalia física, os quais devem ser deixados à própria sorte. Somente recordando, gregos e romanos tratavam com desprezo o corpo feio e doente, daí a explicação quanto ao tratamento dado ao gigantismo.

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quinta-feira, 15 de julho de 2010

TOMAR CAFÉ PODERIA RESULTAR EM EXCOMUNHÃO OU EM EXALTAÇÃO PARA QUEM O CONSUMISSE

O famoso cafezinho, apreciado em todo o mundo, é portador de alguns fatos inusitados.

No Brasil ele passou a ser o produto mais exportado a partir de 1830. Seu poder econômico foi tanto que resultou na criação da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 1848.

Já serviu para separar casais, para gerar briga entre papas, discórdias entre muçulmanos e até assassinatos.

Na França do século XVIII, foi servido nas mesas palacianas, quando foram realizados alguns rituais em torno da bebida.

Tomar café era sinônimo de nobreza.

Na Turquia houve uma lei que autorizava a mulher a se divorciar do marido, caso este não provesse a casa com café suficiente para as necessidades habituais, dentre as quais a de oferecer ao visitante, uma prática nobre.

Na Arábia, chegou a ser considerado uma bebida satânica. Tal crença fez com que muitas sacas fossem incineradas. Por outro lado, tal medida constrangeu um sultão - que considerava o café um produto divino -, tendo ele ordenado o assassinato de quem partiu a ordem para a queima do produto.

Na época da Reforma e da Contrarreforma, o produto dividia a igreja. Uns achavam que o café era diabólico por ter vindo do Oriente. Outros, por sua vez, diziam que o café era sagrado.

Esses posicionamentos fizeram com que um papa cogitasse a possibilidade de oficializar a excomunhão do café, o que faria com que todos aqueles que provassem da bebida fossem expulsos da igreja.

Outro papa, pensando diferente, afirmou que o café é de Deus, e por este motivo, deveria ser batizado e rotulado em definitivo como sendo de produto genuinamente cristão.

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

DÉCADA DE 40: CONVERSAS DE SALÃO DE BELEZA RESULTAM EM MANUAL FEMININO ENSINANDO COMO SEGURAR UM HOMEM

Dizem que os três lugares onde rola mais fofoca é no salão de beleza, na cozinha e na mesa de um bar.

O salão de beleza ganha cada vez mais seu lugar de destaque nessa batalha. É lá onde as mulheres colocam em dia suas conversas, relatam seus "babados" e, como é de se esperar, dão uma repaginada no visual.

Foi num espaço como este que a dona de um dos salões de beleza dos Estados Unidos obteve respostas suficientes para escrever um livro sugerindo à mulher como ela deveria proceder para segurar seu homem desejado.

O livro foi escrito em 1945 e revela que a produção de revistas femininas - hoje tão comuns nas bancas - não foi o marco dessa preocupação feminina.

De cara se recomendava autoaperfeiçoamento. Depois afirmava que a mulher deveria estar pronta para responder minuciosamente a mais de 30 perguntas sobre pele, cabelo, pernas, silhuetas e - acreditem - sobre as eliminações diárias.

O manual dizia ainda que a mulher tem que escolher um espelho imparcial. Nada de ilusão. O segredo era encarar de frente as dificuldades que a tornavam menos bonitas.

Receitas para rejuvenecimento da pele e emagrecimento também faziam parte do manual.

Depois que o pretendido tivesse sido fisgado, a missão seria mantê-lo apaixonado. E para tanto, desleixos pessoais eram apontados como uma das principais causas.

As mulheres deveriam ainda, ser interessadas nos assuntos e nos problemas de seu companheiro. Era aí onde elas deveriam valorizar a leitura, segundo a recomendação da autora, que poderia ir desde arte à política.

Ciúme e brigas deveriam estar fora de cogitação. Tais atitudes espantam o homem, dizem as mulheres no salão de beleza.

Havia - como não poderia faltar, segundo a tradição da época -, as dicas para um bom prato. A esposa deveria cozinhar bem e variar no cardápio. Elas diziam que há homens que são seguros pela barriga.

E finalmente havia dicas sobre menstruação, menopausa e outros temas mais íntimos ligados ao mundo feminino.

O nome do livro é "Agarre seu Homem", de Verônica Dengel, traduzida para o Brasil por Suzana Flag.

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

FALTA DE ETIQUETA NA SALA DE REUNIÃO DE CHEFE DE ESTADO LEVA OS PRESENTES A SENTIREM CONSTANTEMENTE MAU CHEIRO DE COCÔ E DE URINA

O patrão aqui é o próprio chefe de Estado. Ele, a autoridade máxima, costumava se recolher ao quarto por volta das 23 horas, horário em que estava habituado a dormir.

Vizinho ao quarto de dormir havia uma sala contígua onde ele gostava de despachar com os oficiais do governo. Era lá também que ele costumava receber visitas.

Ocorre que para se chegar a seu quarto, os criados tinham que atravessar a sala de reuniões, que de costume sempre tinha alguma visita ou alguma autoridade governamental.

E os tais criados tinham uma tarefa sagrada todas as manhãs: esvaziar os penicos do seu superior. Aliás, superior de todo o Brasil.

Durante a noite essa autoridade máxima fazia uso de penicos (no plural) para suprir suas necessidades fisiológicas, como é de se esperar.

Mesmo os empregados encarregados da nobre tarefa adotarem todas as precauções para evitar que o fedor se espalhasse aonde passassem os ditos penicos, o cocô e a urina que se encontravam em seu interior denunciavam o fastioso produto.

Em plena reunião os pobres súditos passavam com o penico nas mãos, coberto com uma tampa de madeira e um pano de veludo, insuficientes para a tarefa às quais foram destinadas.

Os oficiais e convidados do governo sabiam que naqueles indiscretos recipientes iam os restos alimentícios e a sobra da água deixados por D. João VI, bisavô da princesa Isabel, que habitualmente comia muitos pedaços de frango assado.

Os episódios aqui descritos aconteceram no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

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domingo, 11 de julho de 2010

VOZES DO ALÉM ATORMENTAM PAPA AINDA VIVO E PROFETIZAM SEVERAS MALDIÇÕES CONTRA ELE

Existiu uma mulher que se chamava Joana. Não a Joana D'arc, a famosa heroína francesa, mas a papisa Joana, a única mulher que conseguiu ocupar a cadeira do santo pontifíce da Igreja Católica.

Ela enganou, por muitos anos, o rebanho da igreja fazendo todos acreditarem que ela fosse um homem.

Apaixonou-se e engravidou.

Mulher hábil, versada em várias línguas e culturas, ocupava o cargo do papa sem maiores dificuldades, inclusive arrancando elogios de todos os intelectuais da época.

Enquanto presidia o consistório (o que fazia com grande talento), já estando grávida, o falso papa foi chamado para expulsar o demônio de um rapaz. Feito o ritual exorcista, Joana perguntou ao demônio em que tempo ele iria sair do corpo daquele homem.

Imediatamente o demônio teria dito para ela que iria deixar o corpo do infeliz no dia em que ela deixasse o clero e o povão olharem uma criança filha de um falso papa que estava no poder.

Tais palavras assustaram a papisa Joana. Logo despediu o endemoniado, para evitar maiores declarações. Em seguida ela se recolheu em seus aposentos e outra vez teria ouvido a voz do demônio, que se pronunciou nos seguintes termos:

"Santíssimo Padre, depois do vosso parto, pertencer-me-ei em corpo e alma; e apoderar-me-ei de vós para que vos queimeis comigo no fogo eterno."

Essa ameaça fez com que o falso papa aplicasse a si próprio castigos severos, a fim de conseguir o perdão divino, tendo, inclusive, deitado-se sobre cinzas.

Pouco tempo depois ela morreu de parto.

Muitos religiosos católicos que vieram depois da papisa formularam algumas hipóteses sobre como Deus havia consentido uma mulher ocupar a cadeira do santo pontífice.

Os mais revoltosos não tinham dúvida: a papisa Joana está no inferno, pendurada numa porta, bem distante de seu amante, que também está suspenso em outra porta, mas do outro lado do inferno, para que não tenham contato.

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

CIÊNCIA X SOBRENATURAL: CONHEÇA DOIS FATOS HISTORICAMENTE DOCUMENTADOS QUE ATÉ HOJE INTRIGAM A CIÊNCIA NO MUNDO INTEIRO

Existiu um arqueólogo chamado Howard Carter, que foi o descobridor da intacta tumba do faraó Tutankhamon. No Egito ainda é firme a crença de que as antigas múmias são intocáveis, sob pena de severas punições aos transgressores.

O que você lerá agora é certamente muito intrigante, suscetível de reflexão, e merece ser encarado com todo o cuidado, para se evitar exageros, tanto dos crédulos como dos incrédulos.

A câmara funerária de Tutankhamon foi aberta no final da tarde de 17 de fevereiro de 1923. Dentre muitos objetos e outras preciosidades arqueológicas, havia uma inscrição que dizia o seguinte:

"A morte atingirá quem perturbar o sono do faraó."

Alguns meses antes do arqueólogo encontrar o sarcófago, o canário predileto do pesquisador foi morto por uma cobra. Os egípcios ficaram em sinal de alerta, pois sabiam que Carter estava em busca do faraó e viram no ocorrido um sinal de que muitas maldições estariam por vir.

E de fato muito coisa estranha aconteceu. Vamos aos fatos.

Um dos melhores amigos e sócio do pesquisador, que ao lado deste foi um dos primeiros a ingressar na tumba, morreu em seguida, picado por um mosquito. O Egito se alarmou.

No momento exato em que ele morreu, seu cão preferido, que estava na Inglaterra, morreu fulminado por um ataque do coração.

Outro arqueólogo, amigo de Carter, morreu inexplicavelmente no mesmo hotel em que estava hospedado o sócio de Carter.

O proprietário das primeiras fotos tiradas do faraó morreu em seguida, misteriosamente, cujo mesmo destino teve também o secretário do arqueólgo.

A irmã do sócio de Carter - que havia sito morto por um mosquito -, suicidou-se em seguida. A esposa de um lorde inglês que visitou a tumba também foi morta de maneira misteriosa.

Um médico que havia sido designado para fazer as radiografias na múmua também morreu repentinamente, sem motivo aparente.

Vários diretores de museus, médicos, arqueólogos e pessoas ligadas aos homens que visitaram a tumba tiveram o mesmo destino.

Os seguidos episódios despertaram o interesse dos meios de comunicação e dos espíritas, que chegaram a afirmar terem tido contatos espirituais com sacerdotes do Egito Antigo e alertaram para o perigo iminente.

Chegou-se a cogitar que o Titanic teria tido o destino que teve porque um dos passageiros carregava em seu camarote uma múmia que vivera no reinado de Amenófis IV.

Antes do descobrimento do corpo de Tutankhamon outro episódio chamou a atenção de muitos: em 1879 foi descoberta a múmia de um sacerdote egípcio. Nela encontrou-se a seguinte inscrição:

"A cobra que está sobre minha cabeça se vingará com chamas de fogo quem perturbar meu corpo. O invasor será atacado por bestas selvagens, seu corpo não terá túmulo e seus ossos serão lavados pela chuva."

Um colecionador que havia comprado a múmia foi esmagado por um elefante. Seu corpo foi abandonado e suas carnes e ossos dispersos pelas fortes chuvas que caíram sobre o local.

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

PRECONCEITO CULTURAL ENTRE INTELECTUAIS DO MUNDO ANTIGO

Já é amplamente divulgado que herdamos de outros povos e de diferentes épocas muitos dos costumes encontrados no nosso dia a dia. Romanos e gregos estão entre eles, talvez os maiores representantes.

Os dois têm sua importância no cenário internacional, cuja tradição e força se mostraram concomitantes. Por muitos séculos romanos e gregos foram politicamente independentes um do outro, até que o segundo foi dominado pelo primeiro. É de onde nasce o Helenismo, famoso tema nas aulas e nos livros de história.

Há alguns detalhes, porém, que sequer - ou pouco - foram percebidos pelos profissionais da área: a forma como o dominado politicamente se comportou 'culturalmente' em relação ao dominador.

Em plena força política, quando Roma tinha poderes sobre os gregos, os intelectuais deste último grupo se negavam a exercer sua sabedoria médica ou filosófica na língua romana, mesmo vivendo em terras romanas.

Isso é incrível, não é mesmo? Vamos aos detalhes.

Médicos e filósofos gregos que viviam em terras e sob o jugo romanos exerciam suas respectivas artes utilizando a escrita e a língua gregas. Ao se autodefinirem autóctones, os gregos diziam que não descendiam de nenhum outro povo, sem falar que estavam certos de que sua cultura era a mais elevada de todas, o que os instigava a não submissão à imposição cultural.

Para preservar tal cultura, defendiam a propagação da língua e da escrita gregas - ou seja, o fortalecimento do aprendizado da própria língua, assim como somos obrigados a estudar o português -, o que os fazia não adotarem o latim, mesmo residindo no exterior.

Foi por isso que soberbamente os gregos não valorizaram Cícero e Virgílio, dois ícones da literatura romana, fato inverso na visão que estes últimos tinham daqueles, uma vez que estudar os clássicos da antiga Grécia era uma obrigação para os jovens de Roma.

E os romanos cederam. Nenhum romano era chamado de culto se não dominasse o grego. A influência foi tamanha, que muitos jovens conversavam em grego, em plena Roma. Jovens marcavam encontros proibidos, falando em grego, na presença dos pais, que ouviam e nada entendiam. Não falar e não escrever em grego era motivo de rejeição grupal. Virou um modismo.

Somente perto do fim da Antiguidade (que oficialmente ocorreu em 476 d.C.) é que os intelectuais gregos que residiam em Roma se renderam parcialmente ao latim, principalmente aqueles que pretendiam seguir a carreira jurídica, onde o latim ainda encontra repouso.

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

NO INÍCIO, NÃO SE DEVERIA CHAMAR A MÃE DE 'SENHORA'; APENAS CHAMAR O PAI DE 'SENHOR'

Crescemos aprendendo que se deve obediência ao pai, à mãe, às autoridades e aos mais velhos. Nada de errado nisso, guardadas as circunstâncias de cada caso. E o princípio da obediência é encontrado tanto na cultura oriental quanto na ocidental.

Muito da nossa cultura se deve aos gregos, aos romanos, aos medievais, aos europeus. Vem das famílias ricas e 'educadas' de Roma o hábito de se chamar o pai de 'senhor', sem menção à obediência à mãe pelo nome de 'senhora'.

Desde que o mundo é mundo é o homem (sexo masculino) quem dá as ordens, quem tem a palavra final. Na velha Roma era assim também. O pai tinha pleno poderes sobre os filhos e estes obedeciam àquele sem restrições.

Estava sedimentada na sociedade da Roma de então a ideia de que cabia ao pai educar o filho com severidade, com punições, ao passo que à mãe cabia a indulgência, o amor maternal, a predisposição para perdoar os erros dos filhos.

O verdadeiro pai era aquele que não pedia desculpas aos filhos. Este era o papel da mãe, caso houvesse a necessidade de fazê-lo.

Sêneca, filósofo e instrutor de Nero, narrou que "Os pais forçam o caráter ainda flexível dos bebês a suportar o que lhes fará bem".

Outro costume que reproduz bem esse papel do pai diz respeito às funções dos ascendentes do pai e da mãe de um bebê.

Quando o filho era criado pela avó paterna, esta poderia - e deveria - ser severa, dura, áspera com o neto. No caso a avó cumpria a função do pai. Se fosse criado pela avó materna, cabia a esta o papel de mãe: ser serena, doce, perdoadora das danadices do menino.

Tal costume era mais comum entre as famílias ricas. O imperador Vespasiano (aquele que morreu em pé, com diarreia) fora criado pela avó paterna, mesmo tendo mãe viva.

Mesmo diante de tantos princípios, mais um foi inserido no seio da família romana: sempre que se dirigisse ao pai, o filho deveria chamá-lo de 'senhor', revelando a completa relação de submissão e de domínio.

Para estimular os filhos à forma de tratamento em questão, propagou-se na velha Roma que chamar o pai de 'senhor' é típico de meninos educados, cujo costume iniciou-se nas famílias aristocráticas, logo copiado pela plebe.

Como se vê, o costume chegou aos nossos dias.

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

A ORIGEM DA EXPRESSÃO DE TRATAMENTO 'VOSSA EXCELÊNCIA' NA LÍNGUA PORTUGUESA

Devo escrever: "Vossa Excelência, discordo de seus projetos." ou "Vossa Excelência, discordo de vossos projetos."??

Acreditamos seja comum, em momentos que exijam erudição, formalismo, a presença da presente dúvida na hora de se decidir sobre a questão aqui levantada. Diz um velho adágio popular que 'nem tudo o que parece é.'

Vamos à resposta e ao resgate histórico em torno da questão:

Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, afirma que tais tipos de títulos honoríficos surgiram no português entre os séculos XIV e XV. Na época realmente havia possibilidade de se usar as duas formas apresentadas.

Na história da literatura portuguesa consta o nome de um autoditada chamado Alexandre Herculano (1810 - 1877), escritor do Romantismo, autor de clássicos portugueses.

Deve-se principalmente a ele o tira-teima dessa celeuma. Embora não tendo formação acadêmica, Herculano era apaixonado por história, e, movido por sua paixão, percorreu todos os recantos de Portugal em busca de documentos e textos de cunho histórico.

Curiosamente, não tendo formação acadêmica, como dissemos acima, foi o responsável por iniciar uma nova fase na historiografia portuguesa, dando-lhe um cunho científico, uma vez que em seus escritos tentou abolir o misticismo, muito comum em Portugal.

Amante do medievalismo, investigou a fundo a história de seu país, resultando, dessa pesquisa, a resposta para o problema solucionado aqui.

Ele descobriu que o uso concomitante de 'seu, sua' e 'vosso, vossa' durou até aproximadamente o século XVII, momento em que o 'vosso, vossa' perdeu a prioridade para o 'seu, sua'.

Descobriu, também, que do século XVIII ao tempo de suas pesquisas o 'vosso' somente era utilizado em escritores desconhecedores da história da língua portuguesa ou em novelas e peças teatrais que retratavam o passado histórico, a fim de se evitar o anacronismo.

Desta feita, nem Portugal nem o Brasil devem usar os pronomes 'vosso, vossa, vossos, vossas', a menos que estejam acompanhados de algum título honorífico, sem exceção. Sendo assim, o primeiro exemplo trazido nesta matéria corresponde ao correto, ao passo que o segundo exemplo deve ser evitado. Portanto, não devemos empregar frases do tipo "Vossos sonhos, vossas palavras, vossa atitude" e sim "Seus sonhos, suas palavras, sua atitude", mesmo sendo dirigidas a altas autoridades, dignas do tratamento Vossa Excelência.

Alexandre Herculano é reconhecido não somente por gramáticos, como por historiadores e por literatos, dada a sua importância tanto na literatura, na história, como no estudo da língua portuguesa.

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domingo, 4 de julho de 2010

UM DOS TEXTOS MAIS CRIATIVOS JÁ ESCRITO PELO SER HUMANO

Em meados do século XVI, François Rabelais (1494 - 1553) compôs uma das críticas mais criativas acerca dos homens da Igreja Católica. A obra se chama Gargantua e Pantagruel.

Transcreveremos, abaixo, o texto em questão. Observe os neologismos adotados pelo autor, cuidadosamente criados para abrilhantarem ainda mais a crítica.

A nosso ver, a crítica de Rabelais se constitui num dos mais fabulosos textos já escritos pelo ser humano, não só pela criatividade em si, mas pela profundidade e fidelidade histórica da época.

Você, leitor e leitora, se ainda não conhecia este texto, aprecie e tente identificar cada uma das críticas aqui mencionadas.

Vamos ao texto:

"A ilha era habitada por pássaros grandes, belos e polidos, em tudo semelhantes aos homens da minha pátria, bebendo e comendo como homens, digerindo como homens, dormindo como homens . . . Vê-los era uma bela coisa. Os machos chamavam-se clerigaus, monagaus, padregaus, abadegaus, bispogaus, cardealgaus e papagaus - este era o único de sua espécie . . . Perguntamos porque havia só um papagau. Responderam-nos que . . . dos clerigaus nascem os padregaus . . . dos padregaus nascem os bispogaus, destes os belos cardealgaus, e os cardealgaus, se antes não os leva a morte, acabam em papagau, de que ordinariamente não há mais que um, como no mundo existe apenas um Sol . . . Mas donde nascem os clerigaus? ... - Vêm dum outro mundo, em parte de uma região maravilhosamente grande, que se chama Dias-sem-pão, em parte doutra região Gente-demasiada . . . A coisa passa-se assim: quando, nalguma família desta última região, há excesso de filhos, corre-se o risco de a herança desaparecer, se for dividida por todos; por isso, os pais vêm descarregar nesta ilha Corcundal os filhos a mais . . . Dizemos "Corcundal" porque esses que para aqui trazem são em geral corcundas, zarolhos, coxos, manetas, gotosos e malnascidos, pesos inúteis na terra . . . Maior número ainda vem de Dias-sem-pão, pois os habitantes dessa região encontram-se em perigo de morrer de fome, por não ter com que se alimentar e não saber nem querer fazer nada, nem trabalhar em arte ou ofício honesto, nem sequer servir a outrem . . . ou cometeram algum crime que poderá levar à pena de morte . . . então voam para aqui, tomam aqui este modo de vida, e subitamente engordam e ficam em perfeita segurança e liberdade."

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

HOMOSSEXUALISMO: UM BREVE RELATO HISTÓRICO

O termo homossexual foi criado por um psicólogo alemão, em 1848. Foi publicado, em 1897, o primeiro livro médico tratando sobre o homossexualismo, de autoria de um médico inglês.

Abaixo, você lerá um breve relato sobre como os gays foram tratados no curso da história. Serão focados desde a Idade Antiga à Idade Contemporânea. É ler para crer.

As tribos primitivas das ilhas de Nova Guiné, Fiji e Salomão (e outras), acreditavam que o conhecimento sagrado somente poderia ser transmitido através do coito anal, desde que os parceiros fossem do mesmo sexo. O interessante é que essa crença reduz ao homem a capacidade de transmissão do sagrado, uma vez que a mulher é excluída pelos limites físiológicos impostos.

No antigo mundo grego, a prática homossexual era aceita e até incentivada, inclusive por conhecidos intelectuais. Sócrates, por exemplo, gostava de se relacionar com adolescentes, os quais eram passivos na relação. O referido filósofo dizia que o coito anal o inspirava. Naquela sociedade, os jovens eram estimulados à prática homossexual com idosos, sendo desaconselhado o relacionamento entre dois jovens ou entre dois idosos, motivo de reprovação social no velho mundo grego. Somente depois de completar a fase adulta é que o homem deixaria de ser passivo para se tornar ativo.

O primeiro texto de que se tem notícias punindo severamente o homossexual aponta para o início do século VI d.C., cuja lei é de autoria de um imperador cristão. O homossexualismo foi tratado nos mesmos termos que o adultério, sujeito à pena de morte.

O fortalecimento do poder cristão sobre os governos seculares e o aparecimento do islamismo tornaram o homossexualismo sujeito ao desprezo, uma vez que reduziam o ato sexual unicamente à procriação.

Quando a peste negra assolou a Europa, no final da Idade Média, logo a igreja acusou os homossexuais e judeus como um dos responsáveis pela praga. Isso nos dá uma ideia de como eles foram tratados. O objetivo era erradicá-los, caso não se convertessem ao catolicismo - à força, para variar.

Com o advento do Renascimento (Idade Moderna) - que resgatou os antigos valores clássicos, dentre os quais a valorização do corpo masculino -, o homossexualismo passou a ser retratado como algo natural. Pintores, escritores, dramaturgos e poetas se engajaram na defesa desse novo pensamento.

O surgimento do protestantismo reforçou o coro daqueles que acusavam de pecado o ato homossexual.

A Idade Contemporânea passou a estudar com mais afinco o homossexualismo. Muitas teorias foram lançadas. Vários tribunais revisaram suas leis, e muitas destas surgiram para o beneficiamento da antiga prática, inclusive sancionando o casamento civil entre homossexuais.

O relato acima é apenas um esforço de trazer ao público um ligeiro apanhado histórico sobre o tratamento dado aos homossexuais e ao homossexualismo, e evita entrar no seu mérito, porquanto o objetivo principal desta página é apenas postar curiosidades históricas.

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quinta-feira, 1 de julho de 2010

CONHEÇA A SENTENÇA DE MALDIÇÃO LIDA EM CERIMÔNIAS DE EXCOMUNHÃO NA IGREJA CATÓLICA MEDIEVAL

Ainda hoje o instituto da excomunhão é uma realidade na Igreja Católica. Certamente não tem o mesmo peso que outrora. Abaixo será transcrita uma parte da sentença que era lida para o excomungado. Leia atentamente, e observe a presença dos elementos que geravam temor e medo, suficientemente capazes de levar o punido ao desespero emocional.

A sentença de maldição era lida pelo bispo, que se encontrava cercado pelo clero, na presença do povo. O ambiente era sombrio: teto preto, sinos badalando e tochas acesas, um prenúncio do destino do excomungado.

Diz a sentença (atente para as palavras depois das reticências):

"Que sejam malditos sempre e por toda a parte; que sejam malditos dia e noite e a toda hora; que sejam malditos quando dormem, quando comem e quando bebem; que sejam malditos quando se calam ou quando falam; que sejam malditos desde o alto da cabeça à planta dos pés. Que seus olhos tornem-se cegos, que seus ouvidos tornem-se surdos, que sua boca torne-se muda, que sua língua fique pregada à abóbada palatina, que suas mãos não toquem em nada, que seus pés não andem mais. Que todos os membros do seu corpo sejam malditos; que sejam malditos quando de pé, deitados ou sentados; que sejam enterrados com os cães e os asnos; que os lobos rapaces devorem seus cadáveres . . . E assim como se extinguem hoje estas tochas por nossas mãos, que a luz de sua vida se extinga eternamente, a menos que se arrependam."

Na Idade Média, do pobre ao rico, do plebeu ao rei, todos evitavam ao máximo se depararem com uma situação como essa. Indiscutivelmente foi um excelente recurso utilizado pela igreja para manipular o pensamento e as atitudes das grandes massas.

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