quinta-feira, 30 de setembro de 2010

ATITUDES DE UM FAMOSO CHEFE DE ESTADO REVELAM SUA INTENÇÃO DE PROVAR QUE ELE ERA MAIS PODEROSO DO QUE DEUS

As duas histórias que serão narradas abaixo aconteceram com um falecido e conhecido chefe de estado e revelará que o ser humano é de fato capaz de cometer muitos absurdos para chegar e se manter no poder.

Tal político era um grande orador e tinha o dom de convencer os ouvintes num simples discurso.

Certa vez conseguiu atrair um grande público para ouvi-lo acerca dos problemas que envolviam seu país naquele momento histórico. Antes, porém, de iniciar seu discurso, um repórter entrevistou uma jovem que se achava entre os ouvintes e pediu para que ela o definisse.

Como resposta a jovem afirmou que ele era um sanguinário, um homem mau, um perverso. Após esta ligeira entrevista o político iniciou seu discurso, através do qual fora longa e intensamente aplaudido pelos presentes.

Imediatamente o mesmo repórter perguntou para aquela moça o que ela achava do referido político, depois de ouvi-lo. Ela teria dito que aquele homem era a solução para seu país.

Como se vê, a opinião da moça mudou somente com um discurso.

Em outra ocasião o dito político mandou alguns subordinados a uma escola onde havia somente crianças como estudantes. A equipe de subordinados entrou em cada sala de aula e proferiu um discurso às criancinhas. Em um dado momento foi pedido que elas fechassem os olhos e abrissem as mãos e pedissem para que Deus lhes enviasse bombons naquele momento.

As crianças assim fizeram. Depois pediram para que as mesmas abrissem os olhos e olhassem para as mãos para que comprovassem se de fato Deus havia enviado os tão sonhados bombons. Mas Deus fez silêncio: as mãos das crianças continuaram vazias, para decepção de todas.

Depois a mesma equipe pediu para que elas fechassem novamente os olhos e abrissem as mãos e pedissem para que o dito político providenciasse o milagre. Assim foi feito. Ocorre que enquanto as crianças se mantinham de olhos fechados, pessoas previamente determinadas para este fim colocavam bombons nas mãos das crianças.

O objetivo era mostrar que aquele chefe de estado era uma espécie de Salvador da Pátria, bem como passar a ideia de que as crianças deveriam ouvi-lo porque, além de poderoso, ele era bom.

O nome desse político é Adolf Hitler.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 2)

Abaixo, a segunda parte do testamento de Pe. Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre começa a falar para quem deixou sua fortuna. Acompanhe.

"Declaro que sou filho legítimo dos fallecidos Joaquim Romão Baptista e Dona Joaquina Vicencia Romana e nasci na cidade do Crato, neste Estado do Ceará, no dia vinte e quatro de março de mil oitocentos e quarenta e quatro (1844).

Como profissão, adoptei o Ministério Sacerdotal, de accordo com as Ordens que me fôram conferidas pelo então Bispo do Ceará Dão Luiz Antonio dos Santos, de saudosa memoria, exercendo-o, conforme a minha vocação, com amor, dedicação e bôa vontade, e desejando assim continuar em quanto o Bom Deus, pela sua Divina Misericórdia me conceder força e consciencia dos meus actos.

Declaro mais que desde minha Ordenação, mesmo durante o pouco tempo que fui Vigario da Parochia de São Pedro do Crato, nunca percebi um real sequer pelos actos religiosos que tenho praticado como Sacerdote Catholico.

Declaro ainda que todos os dinheiros que me fôram e continuam a ser dados, como offertas a mim unicamente, os tenho distribuído em actos de Caridade que estão no conhecimento de todos, bem como em grandes e vantajosas obras de agricultura, cujo resultado tenho apliccado em Bens, que ora deixo, na mór parte para a Benemerita e Santa Congregação dos Salesianos, afim de que ella funde aqui, no Joazeiro, os seusCollegios de educação para crianças de ambos os sexos."

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terça-feira, 28 de setembro de 2010

A PRIMEIRA RUA NUMERADA E O PRIMEIRO SISTEMA DE MÃO E CONTRAMÃO NO TRÂNSITO DO BRASIL

Provavelmente a primeira rua numerada do Brasil foi a Rua Direita, no Rio de Janeiro. Depois teve o nome mudado para 1º de Março, ainda no século XIX.

A citada rua teve seu nome mudado por ordem de D. Pedro II, que, no dia 1º de março de 1870, comerava o fim da Guerra do Paraguai, ocasião em que o imperador desceu à rua para juntar-se às manifestações populares.

Mas a numeração se deu várias décadas antes. O referido marco na história do Rio de Janeiro aconteceu em 1824, em decorrência do crescimento da então capital do país, que exigia a numeração das casas como forma de organização urbanística.

A chegada da família real ao Brasil trouxe um aumento populacional como nunca havia acontecido na antiga colônia. Em apenas 14 anos o país praticamente cresceu 30%.

O tráfego de carruagens e animais intensificou de forma visível nas ruas da capital. Novas ruas e bairros surgiram. A cidade crescia a todo vapor.

No mesmo ano houve outra inovação no país: foi criado e organizado o sistema de mão e contramão, a fim de fazer fluir o trânsito no Rio de Janeiro.

Mesmo apesar da modernidade que se avizinhava de forma promissora, estrangeiros narravam que tribos indígenas ainda residiam praticamente dentro da então capital, contrabalançando, assim, o "ar" de urbanidade na falada Rio de Janeiro do século XIX.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O JURAMENTO PROFERIDO PELOS MÉDICOS RECÉM-FORMADOS SOFREU MUTAÇÃO NO DECORRER DA HISTÓRIA

Abaixo, conheça o texto integral do juramento proferido pelos médicos recém-formados. Antes, leia, na íntegra, o Juramento de Hipócrates, que serviu de inspiração para a versão atual. Só lembrando que o dito juramento foi modificado várias vezes, duas delas já no presente século.

Hipócrates é considerado o pai da medicina.


JURAMENTO DE HIPÓCRATES

"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."

ABAIXO, A ÚLTIMA VERSÃO DO JURAMENTO PROFERIDO PELOS MÉDICOS


"NO MOMENTO DE SER admitido como membro da profissão médica:

EU JURO SOLENEMENTE consagrar a minha vida a serviço da humanidade;

EU DAREI aos meus professores o respeito e a gratidão que lhes são devidos;

EU PRATICAREI a minha profissão com consciência e dignidade;

A SAÚDE DE MEU PACIENTE será minha primeira consideração;

EU RESPEITAREI os segredos confiados a mim, mesmo depois que o paciente tenha morrido;

EU MANTEREI por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica;

MEUS COLEGAS serão minhas irmãs e irmãos;

EU NÃO PERMITIREI que concepções de idade, doença ou deficiência, religião, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, condição social ou qualquer outro fator intervenham entre o meu dever e meus pacientes;

EU MANTEREI o máximo respeito pela vida humana;

EU NÃO USAREI meu conhecimento médico para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça;

EU FAÇO ESTAS PROMESSAS solenemente, livremente e pela minha honra."

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domingo, 26 de setembro de 2010

CLÁSSICO MUNDIAL DE LITERATURA INFANTIL PODE TER SIDO INSPIRADO EM CASO REAL DE PEDOFILIA

Certamente você já ouviu falar em Alice no País das Maravilhas, um dos clássicos da literatura infantojuvenil de todos os tempos. O livro fora publicado em 1865, por um escritor que assinava pelo nome de Lewis Carrol, embora este não fosse seu nome original.

O que dizer de um homem de 31 anos com interesses em uma menininha de 7 anos? Hoje certamente seria um caso de polícia. Não estamos falando da história do livro não. Ele confessou que ela foi a inspiração dele para escrever o livro, tanto que o título leva o nome da menina.

A garotinha de 7 anos, Alice Liddel, logo despertou a atenção do escritor inglês (que também era poeta e professor de matemática). Os dois tinham o hábito de passear juntos e sozinhos. Lewis gostava de sair com a garota para passeios de canoa, sem falar que também apreciava fotografá-la.

No começo a família dela não ofereceu nenhuma resistência à promissora amizade. O autor do clássico não escondia que Alice era sua musa inspiradora.

Em seu segundo livro, quando Alice tinha 19 anos, Lewis ainda prestou uma homenagem a sua musa. Dedicou-lhe um poema em que as primeiras letras de cada estrofe formam o nome da garota.

Quando ela tinha 11 anos os dois perderam o contato, por determinação dos pais dela. Alice se casou com outro homem (na vida real, claro) e teve três filhos. Quando o marido faleceu, aproveitou para vender o livro que tinha seu nome como título, a fim de sobreviver. Deu certo. Graças à obra conseguiu auxílio financeiro para sua sobrevivência e de seus filhos. Chegou, inclusive, a leiloar o valioso manuscrito para ganhar dinheiro.

Sem contato, o mentor de Alice no País das Maravilhas não se esquecia daquela menina que lhe proporcionou muitos momentos bons. Ele anotou em seu próprio diário que se lembraria dela para sempre "como aquela menininha de 7 anos completamente fascinante."

Acreditava-se que entre os dois rolou uma intensa paixão. Recentemente estas suspeitas estão perdendo crédito, uma vez que documentos deixados pela biógrafa dela apontam que o carinho de Lewis por Alice e suas irmãs se devia porque ele estava interessado, na verdade, era na governanta da casa.

O certo é que, até agora, a relação entre autor e personagem ainda tem muito a revelar.

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

FAMOSOS ESCRITORES BRASILEIROS VACILAM NO PORTUGUÊS

Alguns modernistas brasileiros, tendo à frente o poeta Mário de Andrade, defendiam que uma frase poderia ser iniciada por um pronome átono, ao contrário do que dizia - e ainda diz - a regra gramatical pertinente ao caso.

Eles defendiam, portanto, que frases do tipo "O vi hoje", são corretas. Ou ainda: "As conheci há pouco".

A reação não demorou a chegar, o que fez os modernistas recuarem, com exceção de Mário de Andrade, que mesmo diante das ponderações de Manuel Bandeira, preferiu continuar no erro.

O escritor Guimarães Rosa também pisou na bola. A palavra estória, comumente aceita como sendo um relato de fatos não comprovados ou fictícios, fora designada para tal fim no início do século XX por um acadêmico brasileiro, mas sem respaldo etimológico.

Etimologistas dizem, no entanto, que tal neologismo é uma frescura estilística, uma vez que, no Português, não há razão linguística para adotá-lo, mesmo quando se queira diferenciá-lo de história.

Envolto pela tradição folclorística do termo, o conhecido escritor Guimarães Rosa acabou publicando, em 1962, um livro com o título Primeiras Estórias.

Portanto, segundo recomendação etimológica, não se deve usar o termo estória, mesmo em se tratando de evento fictício.

Era comum, desde o século XIX, mentes brasileiras das mais diversas áreas do conhecimento guardarem um amor especial pela língua portuguesa, tanto que muitos, não somente da Literatura, mas do Direito, Filosofia, História e até da Medicina, dedicaram boa parte de seu tempo com o estudo da nossa língua. E faziam questão de demonstrar o que haviam aprendido.

Tal fenômeno se deveu, provavelmente, à imediata associação do profundo conhecimento da língua portuguesa à erudição, objeto de desejo de muitos homens e mulheres das mais diversas áreas.

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ENTERRO DE CADELA: PADRE CITA TRECHO EM LATIM A PEDIDO DE EX-PRESIDENTE DO BRASIL

Não se trata do consagrado filme O Auto da Compadecida, onde o padre reza no enterro de uma cadela, em troca de dinheiro. O fato a seguir aconteceu no Brasil e envolveu um padre, um ex-presidente do Brasil e uma cadela.

Afastado dos palanques, Jânio Quadros não deixou de receber políticos em sua residência, na capital paulista.

Em 1970 o ex-presidente recebeu um grupo de políticos e jornalistas para um almoço. Repentinamente a esposa de Jânio Quadros chegou à mesa e trouxe uma notícia nada agradável: Muriçoca havia morrido.

Muriçoca era o nome da cadela de estimação do casal.

O ex-presidente ficou consternado. Logo ficou descabelado e as lágrimas rolaram de seu rosto. Isto na presença de todos dos convidados. Não restou outra alternativa senão dar o almoço por encerrado, pois Jânio tinha que preparar o funeral da cadela, para surpresa dos convivas.

Ele próprio, o ex-presidente, tratou de cavar a sepultura de seu animalzinho de estimação e fez um padre falar algumas palavras sobre a defunta.

Para não pecar, o sacerdote achou por bem citar em latim alguns trechos de Homero e deu o trabalho por encerrado. Tempos depois Jânio colocou uma placa de bronze sobre o exato local onde a cadela fora enterrada.

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 1)

O blogue dará início, agora, à postagem do testamento do Padre Cícero Romão Batista. Os aspectos gramaticais do referido documento serão mantidos.
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"1934
Juizo Municipal de Joazeiro, do Estado do Ceará O Escrivão do 2º Ofício,:interino:
Machado
Execução do Testamento do Padre Cícero Romão Batista.
Testamenteiro:
- Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno
Autoação
Aos vinte e sete dias do mês de Julho do ano de mil novecentos trinta e quatro (1934), nesta cidade do Joazeiro, na comarca do Crato, do Estado do Ceará, em meu cartório, autoei o Testamento com o termo respectivo de abertura que adiante se vê; do que fiz este termo. O 2º Escrivão Intº.
Antônio Machado
Em nome de Deus Amen.

Eu, Padre Cícero Romão Baptista, achando-me adoentado, mas sem gravidade, e em meu perfeito juízo, e na incerteza do dia da minha morte, tomei a resolução de fazer o meu testamento e as minhas ultimas disposições, para o fim de dispôr dos meus bens, segundo me permitem as leis do meu paiz.

E como, devido ao meu actual incommodo, não posso levar muito tempo apurado em escrever este longo documento, nem quero fazer um testamento publico, mas sim um testamento cerrado, de accordo com o artigo mil seicentos e trinta e oito e seus paragraphos do Codigo Civil Brasileiro, pedi ao meu amigo Luiz Theophilo Machado, segundo Tabellião de Notas desta comarca, que por mim escrevesse este meu testamento em minha presença, e por mim ditado, reservando-me para assignal-o com o meu proprio punho."

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

O SOFRIMENTO E HUMILHAÇÕES DAS PROSTITUTAS NA EUROPA MODERNA

Nos rincões cearenses, até algumas décadas atrás, era comum o termo "as prostitutas são fichadas", uma referência à fácil identificação de uma prostituta, de modo que toda a sociedade pudesse diferenciá-la das mulheres "direitas".

Na Europa Moderna, quando infringiam a lei, as meretrizes eram tratadas de forma humilhante desde a prisão até à condenação. Eram julgadas sob as vaias do público e, uma vez condenadas, deveriam ouvir a sentença de joelhos enquanto tinham a cabeça raspada.

Eram conduzidas para um hospital a fim de que houvesse um trabalho de restauração. No percurso havia novas humilhações, uma vez que eram conduzidas em uma charrete aberta e sob cusparadas da plateia, que fazia questão de comparecer ao evento.

No hospital eram separadas de acordo com o delito. As prostitutas declaradas iam para uma ala comum. As "mulheres depravadas", consideradas menos culpadas e de maior chance de regeneração, iam para a ala de correção.

Muitas das "mulheres depravadas" eram enviadas pelos próprios familiares porque viam na filha um iminente risco desta se tornar uma prostituta assumida.

Já para as verdadeiras prostitutas o regulamento não era moleza. Péssima alimentação e roupas rústicas eram dadas às mais libertinas, sem falar que eram submetidas a trabalhos forçados.

A regeneração, por sua vez, consistia numa reeducação religiosa, compreendendo rezas de manhã e à noite (durante 15 minutos por turno), bem como a obrigação de escutar o catecismo durante o trabalho e refeições, sem falar que deveriam marcar presença nas missas de todos os domingos e feriados.

Quem resistisse ou se rebelasse seria chicoteada e poderia parar na sala das angústias, um calabouço que servia de tortura.

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domingo, 19 de setembro de 2010

GATO PRETO . . . CONHEÇA ALGUMAS CRENDICES QUE CHEGARAM AOS DIAS ATUAIS ASSOCIADAS AOS ANIMAIS

Passar por baixo de escada, ganhar de presente uma galinha preta ou mesmo cruzar com um gato preto são, ainda, presságios de má sorte. Abaixo, algumas dessas curiosidades que chegaram aos dias de hoje.

A Idade Média tinha uma teoria para a existência da grande orelha do burro: ele não conseguiu decorar seu nome e como castigo Deus teria puxado as ditas orelhas até elas esticarem.

O gato estava no imaginário popular, sendo constantemente associado a fatos ruins, demoníacos. Pelo menos até o século dezoito o referido animal era visto como fiel companheiro das bruxas e mesmo do próprio capeta.

Acreditava-se, também, que para o ser humano ficar invisível bastava comer o cérebro de um gato logo após a morte deste, desde que ainda estivesse quente. Era comum o felino ser apedrejado nas ruas. Quebrar a perna de um gato seria uma forma de diminuir seu poder satânico. Se no outro dia - acreditem - aparecesse alguma mulher com a perna mancando era a prova de que ela seria uma bruxa, que estaria camuflada em forma do gato que teve a perna quebrada.

No Piauí, por volta de 1758, a Inquisição teve que apurar denúncias de que bruxas estavam tomando a forma de cavalo, cão e bode. Este último, por sinal, era acusado de ser uma autêntica representação do capeta. A crença se deve pelo fato da Bíblia afirmar que para o lado direito irão as ovelhas e para o lado esquerdo (uma representação do inferno) o bode.

Mas o "sujo" também gostava de aparecer camuflado em forma de mosca, rato, cobras, morcegos. Por outro lado, havia a crença de que matar gato dava sete anos de azar, assim como matar cachorro tornaria o assassino devedor de São Lázaro.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

INSCRIÇÃO EM TÚMULO VIROU MODA E PRATICAMENTE UMA OBRIGAÇÃO

Em ligeiro resumo podemos dizer que epitáfio são inscrições sobre os túmulos e lápides, enquanto estas são pedras colocadas sobre os túmulos onde são postas as inscrições.

Enfim, todos sabemos que nos túmulos existem o nome e data de nascimento e falecimento do defunto. Em alguns casos há informações adicionais que falam um pouco sobre a vida do falecido.

Quanto mais retrocedemos no tempo, mais vemos a existência de um maior número de informações inscritas nos túmulos dos falecidos, principalmente entre membros de maior poder aquisitivo, bem como entre aqueles que pretendiam deixar para a posteridade um último ideal de vida.

Entre os antigos gregos, por exemplo, que exaltavam o esporte, não era estranho o emprego de inscrições nesse sentido. Os romanos, por sua vez, preocupados com a reputação pessoal, faziam questão de que constassem em seus túmulos os principais feitos realizados em vida.

Assim, um político fazia questão de deixar registrado em sua lápide que ele fora político porque, para o romano, ser político representava o último degrau na escala da realização pessoal. Depois, talentos pessoais deveriam ocupar a continuidade das letras inscritas. Deste modo, o falecido gloriava-se de ter sido eloquente, poeta, médico, advogado, de sorte que em seu túmulo deveriam constar estas profissões e talentos.

O imperador Marco Aurélio, por exemplo, fez com que todo o império o conhecesse não somente como imperador, mas também como filósofo.

José Bonifácio, que em vida recusou o título de Marquês, pediu que em seu túmulo pusesse uma inscrição retirada da poesia de Antônio Ferreira, que dizia:

"Eu desta glória só fico contente,
Que a minha terra amei e a minha gente."

Hipólito da Costa, o fundador do Correio Brasiliense em 1808, tem em seu túmulo a seguinte inscrição, feita a pedido de sua esposa:

"Aqui jaz Hipólito José da Costa. 1774-1823 - Patriota brasileiro e fundador da Imprensa Brasileira. Atraves do Correio Brasiliense , publicado de 1808 a 1822, teve participação efetiva no processo da Independência do Brasil."

Na lápide, do filósofo Voltaire, no entanto, só constam três palavras:

"Aqui jaz Voltaire."

Já o filósofo Francis Bacon, não se importanto com a inscrição em sua lápide, antes preferiu deixar em seu testamento o seguinte:

"Deixo minha alma para Deus ... Meu corpo, para ser enterrado na obscuridade. Meu nome, para as gerações futuras e para as nações estrangeiras."

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terça-feira, 14 de setembro de 2010

MÉDICOS E JUÍZES PODEM TER SIDO CÚMPLICES NA TENTATIVA DE ESCONDER O REAL MOTIVO DA MORTE DE UM POETA E ADVOGADO BRASILEIRO

O fato aconteceu no século 18 e envolve um dos inconfidentes mineiros. Cláudio Manuel da Costa, amigo de Tiradentes, foi levado para ser interrogado no dia 2 de julho de 1789. Dois dias depois foi encontrado morto em uma cela improvisada, que ficava na casa de João Rodrigues de Macedo.

Na época, os inconfidentes já haviam sido denunciados e sofriam processo judicial que culminou, posteriormente, na condenação da maioria dos envolvidos.

O corpo de Cláudio Manuel da Costa fora submetido a exame médico para definir a causa da morte, cujo relatório oficial saiu dois dias após o ocorrido, assinado por médicos e juízes, que atestaram suicídio.

Algum tempo depois, um dos médicos teria afirmado que no primeiro relatório assinado por ele não havia a confirmação de suicídio, e sim, assassinato, tendo o referido médico assegurado que um segundo relatório fora feito porque o primeiro havia sido destruído, pois deveria constar como causa suicídio.

A história do Brasil está repleta de fatos que revelam a participação de membros do Poder Judiciário em crimes prescritos em lei. Na época, era comum o envolvimento de magistrados em eventos desta natureza.

Curiosamente, foi um ex-juiz de Direito e então advogado (pois abandonara a carreira de magistrado para advogar) que muito desejou denunciar os inconfidentes antes de Silvério dos Reis (aquele que oficialmente foi o delator que resultou na morte de Tiradentes).

Alvarenga Peixoto é o nome dele. Só não denunciou os inconfidentes porque sua esposa, a poetisa Bárbara Heliodora, impediu que o marido assim procedesse. Posteriormente o ex-magistrado lamentou o fato de sua esposa tê-lo convencido a não delatar os ditos inconfidentes.

Cláudio Manuel era advogado, historiador e poeta. Rico, reunia em sua mansão os nomes daqueles que pretendiam a separação do Brasil de Portugal. Foi lá onde se planejou o que seria o modelo da bandeira do Brasil. Era lá, também, onde se discutiam as ideias iluministas, as quais já vinham sendo debatidas no país, trazidas principalmente por ex-alunos de Coimbra, como Cláudio Manuel da Costa.

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

VIZINHO CONTRA VIZINHO, MARIDO CONTRA MULHER, COLEGAS CONTRA COLEGAS: A ÉPOCA E O LUGAR EM QUE IMPEROU A DESCONFIANÇA

Não estamos falando das profecias bíblicas que afirmavam a chegada de um tempo em que filho se voltaria contra pai e vice-versa, até porque os fatos aqui tratados já aconteceram, os quais fazem parte de um negro período da história mundial.

Estamos falando da Alemanha nazista. Seis anos antes mesmo de deflagrada a Grande Guerra, o regime nazista já impusera sanções aos judeus, cujas lojas não deveriam vender seus produtos aos alemães. Era um verdadeiro boicote econômico.

Depois foi cassada a cidadania judia em terras alemãs, de modo que casamento entre eles e pessoas de sangue alemão estava proibido. Houve casos, inclusive, de alemães serem vistos em restaurantes conversando com judeus e, somente por isto, a polícia secreta levá-los à prisão. Houve um caso em que em situação semelhante, a moça acabou confessando que tinha um caso com um judeu, o que teria levado este a cometer suicídio.

O regime totalitarista baixou leis que não somente autorizavam como também estimulavam qualquer pessoa do povo a denunciar atos que revelassem desobediência aos preceitos governamentais. Foi o suficiente para o amontoado de denúncias, muitas delas sem fundamentos.

O vizinho, o marido, a esposa, os filhos, o patrão, o empregado, o parente, um estranho, enfim, todos eram potencialmente inimigos uns dos outros.

Quase metade das denúncias eram oferecidas por civis. Enquanto em outros regimes totalitaristas - como o que aconteceu no Brasil - as denúncias partiam dos próprios militares, lá era diferente e a sociedade viveu um caos, sob o medo e a desconfiança até mesmo das pessoas mais próximas.

Registros apontam, por exemplo, que as denúncias de vizinhos chegaram ao alto índice de 54% no Tribunal Especial de Colônia. As denúncias de ex-amantes, por sua vez, atingiram o percentual de 15% junto à Gestapo, a polícia secreta alemã.

A ocasião era propícia às vinganças pessoais. Acontecia de uma mulher, insatisfeita com o fim da relação, denunciar o marido, de modo que este era levado ao interrogatório, muitos deles sob torturas. Em outros casos, era o empregado demitido que se insurgia contra o patrão, somente para se vingar do ocorrido. Uma simples rixa poderia parar nas mãos do ditador.

Houve casos - imaginem - como o de uma moça alemã que, não obtendo êxito na compra de uma água mineral, denunciou a dona da loja porque, em outra ocasião, testemunhou a loja vendendo água mineral a um outro cliente. Ao que tudo indica a venda negada se deu porque o produto era escasso naquela ocasião.

Isto revela, de fato, o clima de insegurança na Alemanha nazista, até porque eles próprios eram, muitas vezes, inimigos uns dos outros: civil contra civil.

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domingo, 12 de setembro de 2010

PADRE APOSTA A PRÓPRIA VIDA EM JOGO DE XADREZ

O xadrez se tornou popular na Europa a partir do século 15. Foi nesse tempo que os italianos e espanhóis decidiram mexer nas regras, de modo que a dama pudesse se mover em todas as direções.

Não havia nenhuma peça cujo nome estivesse ligado ao sexo feminino, mas, em respeito à mãe de Jesus, Maria (segundo a Bíblia), decidiu-se chamar uma das peças de rainha.

A primeira grande disputa internacional se deu entre um padre espanhol e um italiano, cujo jogo aconteceu em Madri, Espanha.

Os dois jogadores eram famosos por serem reconhecidamente bons na arte de jogar xadrez. Acertou-se que o vencedor de três partidas consecutivas seria o vitorioso da disputa.

O padre, frequentador da corte espanhola, era então o melhor jogador do país e foi escolhido pelo monarca para representá-lo na disputa com o italiano. O vencedor seria agraciado com um pomposo prêmio em dinheiro oferecido pelo rei espanhol.

As três partidas seriam realizadas na presença do rei. Assim foi feito. A primeira partida fora vencida pelo italiano. Na segunda, pensando revidar a derrota, o padre fora novamente surpreendido e acabou perdendo. Só restava uma.

Apreensivo, o rei retirou-se do ambiente pois temia que seu jogador, o padre, perdesse a última partida e enfim, a disputa. Mas o sacerdote rogou ao rei que não se retirasse e que assistisse ao jogo até o fim. O padre chegou a prometer ao rei que reverteria a surra e, caso perdesse, daria a própria vida em troca, de sorte que o rei estaria autorizado a matá-lo.

O sacerdote acabou perdendo a terceira partida e portanto, a disputa. Entregou-se para ser morto, mas o rei se negou a cumprir o combinado.

O xadrez virou mania na Europa. Em Paris, homens como Rousseau e Voltaire costumeiramente frequentavam uma famosa casa de jogo. Napoleão também era um apaixonado pelo xadrez, assim como muitos outros nomes conhecidos da história mundial.

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

CURIOSIDADES DIVERSAS

Vinícius de Moraes se separou oito vezes e em todas elas, ao sair de casa, não levou sequer um único bem móvel. Ocorre que em uma dessas separações foi morar em um apartamento sem mobília e eletrodomésticos, o que não o impediu de receber visitas. Certa vez, em pleno verão carioca, quando recebeu alguns convidados, ofereceu água gelada sem mesmo ter geladeira em casa. Os presentes, achando que beberiam água gelada, se depararam com água de torneira e uma bala de menta. O poeta, em tom de riso, dizia que bastava colocar a menta na boca e em seguida beber a água, que seria, enfim, sua água gelada.

Na década de trinta do século XX um diretor de uma empresa ferroviária estatal foi preso, no Rio de Janeiro, com dinheiro público escondido na roupa. O fato se deu quando Vargas acabou com a Política do Café com Leite, quando havia o acordo para a eleição de políticos de Minas e São Paulo, alternadamente, à Presidência da República. Inconformado, o diretor resolveu dar o jeitinho brasileiro.

O presidente Jânio Quadros - aquele que proibiu o uso de biquínis nas praias e que adorava enviar bilhetes a seus subordinados - acabou soltando uma frase típica dos políticos dissimulados. Certa vez chegou a declarar o seguinte: "Se me virem dançando com uma mulher feia, é porque a campanha já começou". Ironicamente, o mesmo Jânio teria, em outra oportunidade, reclamado que suas fotos sempre eram feias. O fotógrafo, brincando com o presidente, teria dito que o problema é que ele era feio mesmo.

Inquisitor tinha jeito e fama de homem mau, perverso. Só o nome já causava medo, pânico. Mas nem todos foram fiéis ao seu ofício e à fama que eles carregavam "nas costas". Portugal chegou a designar inquisitores para que investigassem a pureza do sangue de judeus, tanto na metrópole como em suas colônias, a exemplo do Brasil. Um deles, Martins Mascarenhas, costumava emitir certificados falsos, cuja intenção era livrar o judeu de eventual perseguição. Mas isto somente acontecia mediante propina. Se ele recebesse o combinado, livraria o judeu. Caso contrário, atuava como um autêntico inquisitor.

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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

DISCURSO DE RUI BARBOSA EM DEFESA DOS ADVOGADOS CONSTITUI-SE NUMA BANDEIRA EM PROL DO PODER QUE A PALAVRA EXERCE SOBRE O SER HUMANO

Para os mais íntimos do Direito e da História certamente não é surpresa a importância que é atribuída ao jurista Rui Barbosa para a diversificação e proliferação de ideais republicanos e democráticos no Brasil.

Foi consagrado internacionalmente em 1907, no Congresso de Haia, onde defendeu o espaço geográfico brasileiro. Ele e um diplomata alemão foram considerados os dois homens mais influentes no referido congresso.

Jurista nato, sustentou em discursos a importância da figura do advogado para a solidificação da democracia. Tais discursos partiram da lavra de Rui Barbosa exatamente porque o bacharelismo brasileiro sofria duras críticas, quando era acusado de ser mais teórico e menos prático.

Eduardo Prado, escritor e um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras, foi, no século XIX, o maior crítico do bacharelismo brasileiro, pois, segundo o academista, o bacharel havia sido complacente com os males da política do país. No século XX, por sua vez, foi Gilberto Freyre quem teceu fortes críticas ao curso de Direito da Faculdade de Recife, tradicionalmente uma das melhores do país, cuja crítica guardava certa sintonia com a do escritor paulista.

A crítica de Eduardo Prado não foi somente teórica. Em sua propriedade rural havia um caboclo que era de uma habilidade extraordinária, pois fazia de tudo um pouco. O academista o apelidou de "Bacharel" e quando ele (Eduardo Prado) passava por alguma dificuldade, dizia rindo: "Chamem o Bacharel, que ele conserta tudo."

Segundo Prado, que era monarquista convicto, esse "conserta tudo" é que teria trazido os males para a República.

Dez anos após a morte do academista, Rui Barbosa proferiu, em maio de 1911, um discurso de posse no Instituto dos Advogados Brasileiros, através do qual fez duras críticas aos críticos do bacharelismo. Eis parte das palavras do renomado orador baiano:

"Os governos arbitrários não se acomodam à autonomia da toga, nem com a independência dos juristas, porque esses governos vivem rasteiramente da mediocridade, da adulação, da mentira, da injustiça, da crueldade e da desonra. A palavra os aborrece porque a palavra é um instrumento irresistível de conquista de liberdade. Deixai-a livre, onde quer que seja e o despotismo está morto."

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

LEONARDO DA VINCI ERA FILHO DE ESCRAVA

Leonardo da Vinci (1452 - 1519 d.C.) é considerado por muitos o homem mais completo de todos os tempos. Completo por causa de seu conhecimento. Viveu numa época em que o mundo europeu estava imerso no Antropocentrismo, na crença e na tentativa de perpetuar o homem no centro da atenção do mundo.

Acreditava-se, na época, que o alcance da perfeição humana estava diretamente ligada à variedade de conhecimento de que o ser humano fosse portador. Da Vinci era pintor, filósofo, escultor, arquiteto, músico, poeta, botânico, anatomista, inventor, engenheiro, cientista, matemático. Para a sociedade renascentista, dominar tantos ramos do conhecimento era a glória para um ser humano.

Esse conceito sobre o pintor já vinha sendo dado ainda quando o italiano era vivo. Homens como o rei da França, por exemplo, com quem Leonardo conviveu em seus últimos dias de vida, chegou a afirmar que até aquele momento não existiu nenhum homem comparável ao famoso pintor.

Até bem pouco atrás se acreditava que Leonardo fosse filho de uma camponesa. Estudos recentes apontam, no entanto, que o pintor era filho de uma escrava árabe. Era comum, na época, mulheres serem trazidas do Oriente Médio para viver como escravas na Europa.

O pai de Leonardo fora contemplado com uma valiosa casa que recebera de herança deixada em testamento por um velho amigo, que, por sinal, somente deixou para esposa uma escrava (provavelmente a mãe de Da Vinci), o que teria feito com que o pai do pintor deixasse a viúva do velho amigo viver na mesma casa, uma vez que ele havia se interessado por Caterine, a escrava, com quem se casou depois.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

OS BASTIDORES DO RELACIONAMENTO DO REI HENRIQUE VIII COM ANA BOLENA

Não é surpresa para ninguém o fato de um rei ter amante. Nem mesmo o fato dele abandonar a esposa por causa dela. Menos comum, no entanto, é, além disto, ele mudar de religião, romper com o papa, fundar uma nova religião e, por fim, manchar as mãos de sangue por causa desta mesma mulher.

Abaixo, os bastidores do relacionamento entre Henrique VIII e Ana Bolena, conhecidos personagens da História, embora pouco conhecidas sejam as minúcias deste evento que marcou a história da Inglaterra.

Duas versões são as mais aceitas para o envolvimento dos dois: uma delas afirma que a amante teria jogado seus dotes de sedução para cima do rei. A outra, que o rei teria passado alguns anos tentando conquistá-la, mesmo diante da negativa de Ana, que só aceitaria o romance se ele prometesse se casar com ela.

O rei estava completamente apaixonado. Historiadores noticiam que em uma das cartas que ele teria enviado para ela, dizia estar esperançoso de que brevemente beijaria os seios da pretendida. Isto sugere, pelo menos, que Henrique VIII foi paciente e evitou usar de seu poder para forçar o relacionamento, embora ele carregue em seu histórico o fato de ter destruído o namoro dela com um servo de um cardeal, que teria proibido o referido namoro a pedido do rei.

Casaram-se com a autorização de um bispo, depois que ela engravidou, ainda que isto tenha custado o rompimento do rei com o papa e proporcionado a fundação da Igreja Anglicana.

Casada com Henrique VIII, Ana Bolena pulou a cerca. Passou a se relacionar com um dos músicos da corte. Curioso foi a forma como os adultérios de Bolena chegaram ao conhecimento do rei. Uma amiga íntima de Ana teria sido pressionada pelo irmão a confessar possível adultério dela (da amiga). Sem saída, ela teria dito que pior era o caso de Ana, que tinha um romance com o músico da corte, que acabou confessando para o rei ter dormido com ela pelo menos três vezes.

Henrique VIII a acusou de ter sido amante de cinco homens. Na sexta-feira do dia 19 de maio de 1536, Ana Bolena foi decapitada. Assistiu à sua última missa e em suas últimas palavras ainda elogiou o rei, provavelmente para evitar perseguições à sua família. Dez dias depois, o rei - que não era nada higiênico -, casou-se com uma nova amante, que finalmente lhe deu um herdeiro do sexo masculino, um dos seus sonhos.

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A ORIGEM DA UTILIZAÇÃO DE NOMES DE PESSOAS EM PRÉDIOS PÚBLICOS

Recentemente o Conselho Nacional de Justiça ordenou que fossem retirados os letreiros que indicavam os nomes de pessoas vivas nos prédios públicos no Poder Judiciário. Tais letreiros ficavam, por tradição, expostos na parte externa dos prédios, facilmente visualizados.

A questão é: de onde vem e qual a fundamentação histórica da tradição de se colocar nomes de pessoas vivas em prédios públicos, que até pouco tempo atrás era bastante aceita no Brasil? Resposta: vem dos gregos, mas foram os romanos quem deram a sedimentação necessária e sua fundamentação sociológica para o Ocidente.

O antigo romano fazia questão de ser um homem público, assim como os gregos. Estes, mais puritanos do que aqueles, entendiam o serviço público como uma forma de prestar um serviço à coletividade. O romano, por sua vez, via no serviço público a chance de fazer prosperar seu nome, sua fama e portanto suas virtudes.

Tácito, escritor do clássico Anais - escrito no início do II século d.C. -, assinala que para um romano a fama estava diretamente associada à virtude de um homem. Ou seja, quanto mais lembrado ele fosse, maiores eram os indicativos de que ele era um homem com virtudes, com atributos dignos de louvor.

De forma gradativa estabeleceu-se entre os romanos um costume um tanto curioso: sempre que um cidadão fizesse uma festa através da qual ele ou um dos seus fosse o agraciado, deveria ofertar à cidade um presente, de modo que fosse utilizado por toda a comunidade.

Por exemplo: se um romano pretendesse ser chamado de nobre, virtuoso, ao fazer seu próprio aniversário ele deveria doar certa quantia em dinheiro aos cofres públicos, ou - em alguns casos -, construir um prédio público, que levaria seu nome. Vale ressaltar que eram poucos os casos em que um romano agia assim, mas sempre acontecia quando ele desejava manter a fama de ser um homem nobre, virtuoso. Eventos como festas de casamento eram propícios para que ocorresse essa doação pública.

Caso este mesmo romano preferisse fazer a festa em um local reservado, de modo que não presenteasse o Poder Público, corria o risco de cair no esquecimento e, assim, agir contrariamente aos seus princípios. O dilema residia exatamente no risco da população saber que Fulano de Tal, sendo um homem rico, nobre, preferiu realizar o evento às escondidas, o que certamente diminuiria seu prestígio. Logo, ou se fazia a festa e convidava os concidadãos (e presenteava a cidade com um prédio público ou dinheiro) ou melhor seria não arriscar fazer a festa de forma furtiva.

Havia, ainda, casos em que este romano preferia criar uma fundação pública, que além de ser entregue ao Poder Público, deveria levar o nome do doador. Tudo isto eram formas de perpetuar o nome e o prestígio dos romanos, que eram obstinados pela fama, pela associação desta com a virtude e a nobreza.

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domingo, 5 de setembro de 2010

PADRES PROVOCARAM ABORTO DE CRIANÇAS CUJO PROCEDIMENTO FORA APROVADO POR UNIVERSIDADE

Desde a origem do cristianismo a Igreja tem desaprovado o aborto, cujo posicionamento é justificado com base em textos bíblicos. Há registros, porém, de que na América Latina - mais precisamente no Brasil - padres católicos não somente defenderam o aborto como efetivamente contribuíram neste sentido.

A partir do final do século XVI o papa autorizou os padres jesuítas praticarem a medicina em regiões onde não houvesse médicos, desde que os novatos fizessem um estágio de apenas um mês.

No Brasil, por exemplo, que não dispunha de médicos no início do período colonial, passaram a ser responsáveis pela erradicação de quaisquer doenças no país. Nem mesmo os índios ficaram de fora: as atividades missionárias dos jesuítas eram acompanhadas de práticas medicinais, ainda que tal procedimento entrasse em choque com a tradição indígena.

No início os jesuítas se recusaram a adotar ervas e plantas como meios de cura, alegando que tais recursos já eram usados pelos indígenas e portanto, de procedência diabólica. Em vez de plantas e ervas, o jesuítas preferiam rezas, água-benta e óleos que levavam nomes de santos.

Ante a ineficiência do método, somente aos poucos se renderam à sabedoria indígena. Há vários registros que dão conta da existência, antes mesmo do final do século XVII, de minifarmácias constituídas somente de produtos naturais.

Mas os recursos espirituais dos padres não foram deixados de lado. Em períodos de grandes mortandades causadas por varíola ou sarampo, preces, procissões e autoflagelação eram comuns entre o rebanho católico.

No Sul do Brasil, por exemplo, o padre Cardiel registrou que muitos índios contraíram varíola, de modo que as mulheres grávidas perdiam seus bebês ainda na barriga. Aquelas, porém, que estavam prestes ao parto, foram orientadas pelos padres a beberem vinho com pimenta moída para apressarem o nascimento da criança.

O motivo, no entanto, era somente um: praticar o batismo das crianças antes que elas morressem, uma vez que, segundo os jesuítas, era comum as mesmas morrerem pouco antes do parto em decorrência da doença da mãe e, quando chegavam a nascer, logo pereciam.

Segundo os ditos padres, se elas morressem sem batismo (mesmo na barriga da mãe) seriam pagãs, sem salvação da alma, daí o porquê do aborto.

O caso foi discutido na Universidade de Córdoba, na Argentina, que acabou aprovando a prática do aborto, quando alegaram motivo justo, ou um "santo fim", no dizer da Universidade.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

HISTORIADOR QUE ESTÁ SEPULTADO EM SOROCABA (SP) DESCOBRIU QUE PEDRO ÁLVARES CABRAL ESTÁ ENTERRADO NO BRASIL

Pedro Álvares Cabral é oficialmente o descobridor do Brasil. Seu nome oscilou entre a fama e o esquecimento, mesmo quando ainda estava vivo.

Apesar de ser aclamado em Portugal no ano de 1501, Cabral se desentendeu com o monarca de seu país, o que resultou em sua substituição por Vasco da Gama para uma expedição ao Oriente.

Passou a residir no Brasil, em Santarém (PA), onde viveu seus últimos anos de vida com a esposa e filhos, até morrer e ser sepultado na mesma cidade.

Seu túmulo permaneceu desconhecido até o século 19, quando foi descoberto pelo historiador Adolfo de Varnhagem.

O referido historiador é considerado por muitos o Heródoto brasileiro, uma menção à peternidade da História do Brasil, uma vez que Heródoto é comumente aceito como o pai da História.

Assim como o notável pesquisador português Alexandre Herculano, Varnhagem tinha o dom para a pesquisa. Incansável, vasculhou arquivos europeus em busca de informações e documentos que falassem sobre o Brasil.

Foi justamente em uma dessas pesquisas que localizou o túmulo de Pedro Álvares Cabral, que se encontra sob o piso de uma das igrejas daquela cidade. O historiador, por sua vez, fora sepultado no Chile, mas os restos mortais foram transportados para Sorocaba, no Estado de São Paulo.

O bibliófilo e academista José Mindlin - que faleceu recentemente - adquiriu parte da biblioteca do historiador.

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

MULHER ACUSADA DE ALICIAR SEXUALMENTE MENINA DE 11 ANOS É CONDENADA A DESFILAR NUA PELA CIDADE

O fato aconteceu na França, depois da Revolução Francesa. Enquanto na Holanda os homens que fossem flagrados em prostituição poderiam pagar uma pesada multa, na França eram as meretrizes e as aliciadoras do sexo que levavam a maior dureza: as punições estavam associadas à humilhação pessoal.

Uma das agenciadoras (ou cafetinas) foi acusada de aliciar uma menor de 11 anos para que a criança emprestasse seu corpo à prostituição. Como punição a cafetina fora condenada ao castigo público: montar nua e de costas sobre um burro e percorrer as ruas da cidade. Em seguida viria o banimento.

Embora as punições pelo Estado fossem rigorosas, a prostituição na Europa nos séculos XVIII e XIX eram uma realidade.

Registros policiais na França, em 1742, dão conta de um número crescente de mães que entregavam suas filhas à prostituição. Mal o dia começava e as meninas já estavam à mercê dos clientes.

Os principais clientes eram membros da nobreza. O filósofo e enciclopedista Diderot narrou em uma carta que um chefe de estado, de pequena estatura, decidiu, depois de beber umas e outras, tirar a roupa num prostíbulo onde se achavam muitas prostituas reunidas.

Acontece que o pequeno homem era superdotado em matéria de órgão genital e teria deixado todos os presentes constrangidos, menos as prostitutas, que passaram a rir, soltando gritinhos de admiração.

Muitas cartas dos séculos 18 e 19 revelam que a nobreza era de fato viciada em um prostíbulo. Abaixo, uma carta redigida por um famoso nobre e endereçada a uma cafetina, através da qual é fácil verificar os gostos e a frequência das visitas.

"Não posso deixar de convir, minha cara, que as moças que nos enviou eram deliciosas. O problema é que se fizeram de virtuosas envergonhadas e não quiseram prestar-se às fantasias da sociedade. (...) Para a quinta, vou precisar do bom e do melhor, daquelas bonitas e sabidas. O duque de Fronsac e o conde de G. serão meus convidados. Jé me entendeu, não é?"

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