quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

BRASIL: A VIDA NA CIDADE NOS DOIS PRIMEIROS SÉCULOS DA COLONIZAÇÃO

Estamos falando, naturalmente, dos séculos 16 e 17, uma vez que o Brasil passou a ser oficialmente colonizado a partir de 1530. O país tinha, na época, sua grande maioria da população residindo na zona rural, cuja estatística só foi invertida no século 20. Vejamos, portanto, algumas característica da época, com destaque para Salvador e Recife.

Eram poucas as cidades habitadas, cujos moradores eram compostos, via de regra, por funcionários da administração, mercadores e oficiais mecânicos, o que pressupõe, só por isto, tratar-se de um número pequeno de moradores.

Somente em períodos de festividades (havia cidades que promoviam somente 3 ou 4 por ano, como atestou um padre na época) e solenidades oficiais é que muitos moradores do campo afluíam para a cidade, mas apenas em caráter transitório, uma vez que o objetivo era somente participar dos eventos. Eram as festas religiosas que mais atraíam os ruralistas, como ainda é comum hoje nos sertões nordestinos do Brasil.

O cearense Capistrano de Abreu, um dos primeiros historiadores do Brasil, conta-nos que na Bahia - centro administrativo do país na grande maioria do período colonial -, as casas das cidades eram fechadas quase todo o ano, sendo abertas somente quando havia festas públicas.

Um empresário português (enriqueceu ainda mais no Brasil) que viveu em Salvador no século 16 conta que havia uma praça em Salvador onde era comum touros correrem e não pessoas. Por sinal, o mesmo empresário nos deixou por escrito sua impressão de Salvador: "... cidade esquisita, de casas sem moradores, pois os proprietários passavam o mais tempo em suas roças rurais, só acudindo nos tempos das festas. A população urbana constava de mecânicos, que exerciam seus ofícios, de mercadores, de oficiais de justiça, de fazenda, de guerra, obrigados à residência".

Ocorria no Brasil o que se via na Florença renascentista, de homens ricos, onde as casas dos campos toscanos eram mais belas, mais ornamentadas do que as casas da cidade. Era preferível receber os visitantes nas casas do campo às da cidade, já que eram mais confortáveis.

No Brasil, a grande virada se vê de forma gradual no século 18. No início do referido século, por exemplo, um jesuíta italiano que residia no Brasil, escreveu que ter os filhos vivendo somente nos engenhos era "criá-los matutos, que nas conversações não saberão falar de outra coisa mais do que cão, do cavalo e do boi". Por outro lado, o mesmo jesuíta dizia que "Deixá-los sós na cidade é dar-lhes liberdade para se fazerem logo viciosos e encherem-se de vergonhosas doenças, que se não podem facilmente curar".

Vale destacar, por fim, que no período colonial em que Pernambuco foi explorado pelos holandeses, Recife viu o inverso do que ocorria no país. Constatou-se considerável afluxo de pessoas para a zona urbana, tanto que na época muitos se queixavam da falta de abrigos, o que fez com que fossem registrados muitos casos de várias pessoas dormindo em um só aposento.

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