sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"ERA UMA PROTEÇÃO QUE NOS ABAFAVA"

A frase acima não é de procedência de uma jovem decepcionada com o excesso de ciúme do amado, não! Ela foi proferida em um documento oficial publicado pelos bispos brasileiros em 1890, em cuja ocasião a Igreja Católica ratificava sua doutrina ante a turbulência do momento, principalmente em função da separação entre Estado e Igreja.

Até o início da República a relação entre Estado e Igreja era semelhante a um de um marido e mulher ou, talvez, pai e filha.

O imperador era portador de dois grandes privilégios, o padroado e o beneplácito, através dos quais o chefe de Estado brasileiro poderia, respectivamente, indicar os sacerdores que atuariam nas funções eclesiásticas, bem como rejeitar as bulas papais em relação ao catolicismo no Brasil.

Como se vê, os padres que ministravam as missas no Brasil do século XIX eram escolhidos por D. Pedro II -, que na prática nada tinha de católico e ainda tolerou o ateísmo, algo abominável para a época.

Por outro lado o Estado mantinha a Igreja, que se beneficiava do dinheiro público, tanto em construções e manutenção de templos como em forma de salários para os sacerdotes.

O padrinho, no entanto, cobrava de sua afilhada. Segundo os bispos, em desabafo, havia constante intromissão dos ministros de Estado no governo das paróquias. Os sacerdotes estavam proibidos de mudar de dioceses sem a devida licença do Estado. Caso houvesse desobediência nesse sentido, seria nomeado um civil para ocupar as funções do padre. Isto mesmo: um civil.

Os temas teológicos a serem estudados nos seminários deveriam, inclusive, passar pelo crivo do Estado. Era, na prática, um acordo que realmente sufocava a Igreja.

Sérgio Buarque de Holanda (pai do compositor Chico Buarque de Holanda) assim definiu vários sacerdotes católicos do período colonial brasileiro: "Os maus padres, isto é, negligentes, gananciosos e dissolutos, nunca representaram exceções em nosso meio colonial".

Já o historiador Florival Cáceres se reportou aos membros eclesiásticos do século 19 afirmando que "O padre brasileiro do império era brigão, valente, político, vivia com sua mulher e criava seus filhos. O voto de castidade raramente era respeitado".

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