quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A PRESENÇA DE RELIGIOSOS NO BRASIL AJUDOU A SEDIMENTAR O GOSTO PELOS DOCES NO PAÍS

Historicamente falando, pode-se afirmar que o destaque que os doces têm na mesa dos portugueses vem do século 15, quando o país deu início a uma produção de açúcar em larga escala em suas colônias do Atlântico. Três séculos depois o país ganhou ainda mais notoriedade ante a crescente produção de ovos, cujos números foram os maiores em toda a Europa daquele tempo.

Curiosamente, as feiras que viviam nos mosteiros passaram a executar o processo de separação da clara e da gema, uma vez que aquela era exportada para outros países europeus com fins comerciais.

Foi então que elas se deram conta da grande importância da gema do ovo: a confecção de doces. Não é por acaso que muitos doces têm os nomes inspirados na fé católica, como o beijo de frade, farrapos do céu, orelhas de abade e vários outros.

Vieram de Portugal para o Brasil alguns grupos de religiosos, como as clarissas (seguidoras de Santa Clara), primeira Ordem religiosa que praticava a clausura a vir para cá (em maio de 1677). Aos poucos crescia o número de religiosos circulando pelo país e com eles o cardápio português.

O que se viu no Brasil, no final da Colônia e durante o Império foi uma acentuada procura pelos doces. O Nordeste, com seu potencial por causa da cana-de-açúcar, viu de perto esse fenômeno.

Tornou-se moda e sinônimo de elegância oferecer doces. Fabiano Dalla Bona, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro declarou que "visitar uma nobre era o grande desejo das esposas dos emergentes. O modo de se comportar à mesa, a prataria, a cristaleira e as louças em que eram servidos os doces viravam o assunto das fofocas semanais."

.

Nenhum comentário:

Postar um comentário