sábado, 26 de março de 2011

INFALIBILIDADE PAPAL: CONHEÇA OS BASTIDORES QUE A IGREJA CATÓLICA FAZ QUESTÃO DE ESCONDER DO GRANDE PÚBLICO

Imagem da internet


O Papa é infalível, correto? Quem tem mais força, um Concílio ou o próprio Papa? Quanto à primeira pergunta, a história da Igreja tem mostrado que não havia, no decurso de sua existência, o expresso questionamento sobre a infalibilidade papal. Os próprios católicos, inclusive os bispos, não lhe davam crença.

Foi somente por meio de um papa tirano, medíocre e covarde, que a Igreja teve que aceitar - goela abaixo -, esse dogma, que, por sinal, trouxe indignação dentro da própria Igreja.

Quanto à segunda questão, já havia, durante alguns séculos, a discussão sobre o poder máximo na Igreja, se dos concílios, se do Papa, embora a infalibilidade, como vimos acima, não era questionável. Leiamos, abaixo, os bastidores de uma mediocridade, ainda desconhecida do grande público.

O Papa tirano se chamava Pio IX, que liderou o Concílio Vaticano I, nos anos 1869 e 1870. Ele queria, a todo custo, se tornar oficialmente infalível, bem como resolver uma pendência que durava havia séculos: a disputa entre o Papado e o Concílio, uma vez que os bispos buscavam uma Igreja cada vez mais descentralizada, o oposto das intenções de Pio IX.

Dissimuladamente, o Papa não divulgou o verdadeiro propósito do Concílio. Inicialmente tratou de abordar o ateísmo, que passou a ser duramente condenado, assim como o materialismo e o panteísmo (junto com este o deísmo e o agnosticismo). Somente aos poucos é que os temas importantes para o Papa foram trazidos à discussão.

O Vaticano I não foi um Concílio livre. Longe disso! O Papa impôs, gerou temores, ameaçou, demitiu, gritou! Aqueles que se opuseram aos seus insanos desejos foram perseguidos, ainda mesmo durante o Concílio.

Um bispo croata, que teve a ousadia de afirmar que até os protestantes eram capazes de amar Jesus, foi silenciado aos berros pelo Papa. Naquele momento o Papa já mantinha a maioria dos presentes, que, por adulação ou por temor, se mostravam favoráveis ao tirano. O bispo croata fora chamado de Lúcifer, anátema, um segundo Lutero. Ordenaram que ele fosse jogado fora.

Um bispo caldeu, que publicamente se opôs às pretensões absolutistas do Papa, fora convocado às pressas pelo Papa a uma reunião a portas fechadas. Tremendo de raiva, Pio IX deu duas alternativas para o bispo: ou aceitaria formalmente as propostas dele ou deveria renunciar. Daí para frente ficou difícil se opor ao papa tirano.

Quando a infalibilidade papal passou a ser tema de discussão, muitos bispos ficaram chocados, pois o assunto, além de não ter sido cotado como tema do Concílio, este já havia decorrido alguns meses sem que se desse a ideia de que seria levado à discussão, uma vez que o próprio Papa era sabedor de que os bispos não queriam a centralização do poder. Em vão! A infalibidade do Papa foi posta goela abaixo.

Um bispo armênio contestou ferozmente tal dogma. Na mesma hora Pio IX o condenou a um regime de exercícios espirituais obrigatórios num mosteiro local - uma espécie de prisão domiciliar.

Dos bispos aptos a votar, calcula-se que menos de 50% foram favoráveis à infalibilidade papal, mas ainda assim ela foi imposta. Dá para acreditar?

Após o Concílio, e uma vez divulgado o resultado, muitas (muitas mesmo) igrejas de diversos países se revoltaram contra tal dogma, o que deixou o Papa furioso. Todos os bispos tiveram que assinar um documento, no qual afirmavam a aceitação do novo dogma. Muitos saíram da Igreja; outros, por medo e por conveniência, acataram a insanidade papal.

De posse da infalibilidade, o Papa resolveu testar seus novos poderes: em um de seus passeios, viu um paralítico e ordenou que este se levantasse. O paralítico se levantou e caiu. Muitos passaram a afirmar que o Papa estava ficando louco.

Eis, em breve relato, os bastidores desse dogma, que, diga-se de passagem, não convence e nunca convenceu, nem mesmo os mais chegados ao próprio Papa. Pio IX morreu em 1878, e quando seu corpo percorria o último trajeto, a população gritava: "Morre o Papa", "Joguem o porco no rio". Alguns dos presentes ousaram roubar seu corpo (queriam jogá-lo no Tibre) e foram presos.

Finalmente, cabe indagar: a infalibilidade papal se deu a partir de sua aceitação por meio do Concílio ou a decisão teve um efeito retroativo? Se retroativo, como explicar o fato dessa decisão precisar ser ratificada por um concílio? Se não tem efeito retroativo, com base em que os argumentos usados não são atemporais, mas válido a partir de um marco cronológico?
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6 comentários:

  1. Um bispo armênio que ninguém sabe quem foi e uns tais de 5o% que sabemos menos ainda... parabéns pela falta de vontade de pesquisar ou pelo medo de dizer a verdade . Nos anos 90 dc o papa são Clemente I foi o primeiro a levantar essa questão sobre a infalibilidade papal.
    São Clemente l interveio nos assuntos de Corinto afirmando que falava em nome do Espírito Santo, o que lhe dava prerrogativa de infalível. Muitos séculos mais tarde, especificamente no século XI, foi publicada uma obra reunindo axiomas e proposições que tratavam da autoridade, competência e poder dos papas. A obra chamava-se Dictatus Papae e, resumidamente, afirmava que os papas tinham poder sobre os assuntos de âmbito temporal e espiritua . E do nada me deparo com um texto onde quer questionar a infalibilidade com argumento do tipo:" um bispo armênio que ninguém sabe quem foi e uns tais 50% que ninguém sabe o que tem demais e nem tem os documentos. Mas a questão do 50% foi a maior, pois quando os bispos não conseguem resolver essas questões, passa a ser obrigação total do papa.

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  2. E o mais vergonhoso disso tudo é ver um evangélico que deveria tomar conta de suas seitas, preocupa-se com a igreja católica que não tem nada haver com as loucuras protestantes. E ainda por cima não tem o menor conhecimento sobre o dogma da infalibilidade papal. E recorre a conversinha do tipo:" o papa era covarde e bandido e blá blá blá ". Toma vergonha na cara e estuda meu querido.

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  3. Um bispo armênio que ninguém sabe quem foi e uns tais de 5o% que sabemos menos ainda... parabéns pela falta de vontade de pesquisar ou pelo medo de dizer a verdade . Nos anos 90 dc o papa são Clemente I foi o primeiro a levantar essa questão sobre a infalibilidade papal.
    São Clemente l interveio nos assuntos de Corinto afirmando que falava em nome do Espírito Santo, o que lhe dava prerrogativa de infalível. Muitos séculos mais tarde, especificamente no século XI, foi publicada uma obra reunindo axiomas e proposições que tratavam da autoridade, competência e poder dos papas. A obra chamava-se Dictatus Papae e, resumidamente, afirmava que os papas tinham poder sobre os assuntos de âmbito temporal e espiritua . E do nada me deparo com um texto onde quer questionar a infalibilidade com argumento do tipo:" um bispo armênio que ninguém sabe quem foi e uns tais 50% que ninguém sabe o que tem demais e nem tem os documentos. Mas a questão do 50% foi a maior, pois quando os bispos não conseguem resolver essas questões, passa a ser obrigação total do papa. E o papa ao mesmo tempo que está louco para promulgar o dogma e ao mesmo tempo não foi convencido? 😂😂😂😂

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  4. Mostra pelo menos um documento.
    Realmente nas seitas evangélicas só tem falsos e perseguidores. Não são obedientes a Deus nem quando se trata de contar a verdade.

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  5. Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M.
    Bispo emérito de Novo Hamburgo

    CHAMADA: O importante não está propriamente na indefectibilidade de ensinar uma verdade como revelada, mas na tranqüila segurança em fazer o ato de fé.

    Na Constituição dogmática LG n.18, o Concílio Vaticano II fez questão de reafirmar também a doutrina do Vaticano I sobre o infalível Magistério do Papa, “para ser crida por todos os fiéis”.

    O que é essencial e o que mais interessa em toda esta questão, é que se entenda com muita clareza que o importante não está propriamente na infalibilidade de ensinar uma verdade como revelada (infalibilidade ativa), mas na indefectibilidade em crer ou fazer o ato de fé (infalibilidade passiva). Na Igreja todos, absolutamente todos, também o Papa, os Bispos ou os teólogos, todos são ou devem ser “fiéis”, isto é: são obrigados a crer ou fazer um ato de fé. “Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado”, declarou Jesus (Mc 16,16). A infalibilidade ativa do Magistério eclesiástico (no ensinar) tem por objeto garantir a infalibilidade passiva da fé dos fiéis (no crer). Pois temos como certo, como ensina a Lumen Gentium 12a, que a totalidade dos fiéis, que inclui evidentemente o Papa e os Bispos, e que receberam a unção que vem do Espírito Santo (cf. 1Jo 2,20.27), não pode enganar-se no ato de fé e manifesta esta sua peculiar propriedade através do sentido sobrenatural da fé de todo o povo quando, como dizia Santo Agostinho, “desde os Bispos até aos últimos fiéis leigos”, apresenta um consentimento universal sobre questões de fé e costumes. Justamente graças a este senso da fé, sustentado e amparado pelo Espírito Santo, não já recebe a palavra de homens, mas verdadeiramente a palavra de Deus, adere indefectivelmente à fé, penetra-a mais profundamente e mais plenamente a aplica na vida.

    Não é difícil constatar que Deus não comunica sua Revelação imediatamente a cada ser humano em particular. Nem deixou o acesso à Revelação aos esforços individuais de cada um. Pois triste sorte nossa seria, se cada fiel, para poder fazer seu ato de fé, tivesse, ele mesmo, que recorrer primeiro o difícil caminho de investigação histórica ou de estudos exegéticos, para por fim chegar ao conteúdo da Revelação e então poder pronunciar seu ato de fé; e mesmo assim com o constante perigo de estar equivocado naquele seu esforço de encontrar o que e como deve crer. Menos mal que o objeto da fé já se encontra vital e permanentemente na Igreja e à disposição do fiel para poder fazer seu ato subjetivo pelo qual, em atitude de “obediência da fé” (cf. Rm 16, 26), livremente possa entrega-se todo a Deus para prestar-lhe o obséquio pleno do intelecto e da vontade e dar voluntário assentimento à Revelação, que lhe é oferecida com garantias de autenticidade e fidelidade pelo Magistério vivo e divinamente assistido da Igreja do Senhor Jesus.

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  6. Leia um pouco mais para ver se aprende alguma coisa sobre o dogma da infalibilidade papal:" Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M
    Bispo emérito de Novo Hamburgo

    CHAMADA: O Papa é infalível quando tem a intenção de ensinar definitivamente sobre questões de fé e de moral.

    Oferecer aos fiéis o que devemos crer, faz parte do ministério sacerdotal cristão, que inclui o ofício de ensinar o Evangelho. A infalibilidade do sucessor de Pedro é simplesmente um caso particular do Magistério da Igreja inteira no seu exercício do dever de ensinar. Pois não só o Papa, diz a Lumen Gentium 25b, mas também o conjunto dos Bispos ensina infalivelmente a doutrina cristã, sempre e quando, mesmo dispersos pelo mundo, mantendo no entanto a comunhão entre si e com o Papa, ensina com a autoridade de Jesus Cristo sobre assuntos de fé e moral, e concordando numa sentença a ser mantida de modo definitivo.

    Com este mesmo objetivo de garantir a certeza do ato de fé dos fiéis, o Concílio Vaticano I ensinou na Constituição “Pastor Aeternus”, no dia 18 de julho de 1870, a infalibilidade ativa do Papa. Não se afirma simplesmente que “o Papa é infalível”, mas que ele “goza daquela infalibilidade com a qual Cristo quis munir a sua Igreja”; e isso unicamente quando fala “ex cathedra”, isto é, quando se realizam rigorosa e simultaneamente as seguintes condições:

    1. É necessário que o Papa queira desempenhar seu ministério de “pastor e doutor”. Não basta que converse em particular, ou fale com grupos, ou faça discurso num congresso, mesmo dando opinião sobre questões de fé e moral.

    2. Ele deve ter a consciência que está se manifestando na qualidade de pastor e doutor “de todos os cristãos”.

    3. É ainda indispensável que tenha a intenção de “definir”, quer dizer, expor com precisão, manifestar com exatidão, dar a conhecer de maneira exata.

    4. É essencial que tenha o propósito de definir “com sua suprema autoridade”.

    5. E este seu direito ou dever de ensinar deve ser “apostólico”.

    6. A doutrina que desta maneira é proposta deve referir-se à fé ou aos costumes ou à moral (não à história, à psicologia, à economia, à política ou a outra ciência humana qualquer). Terá exatamente a mesma extensão do depósito da revelação divina, a ser santamente guardado e fielmente exposto. Portanto deve ser uma doutrina de fé ou moral nascida da revelação positiva pública e não de alguma revelação particular ou privada.

    7. O Papa deve ter a intenção de propor a doutrina “para toda a Igreja”. Num documento, mesmo claramente doutrinário, dirigido a uma nação ou continente ou, por exemplo, a um Rito Oriental, não seria definição solene ou “ex cathedra“, nem irreformável.

    O autor é doutor em teologia e bispo emérito de Novo Hamburgo

    Fonte: Site da Mitra da Diocese de Novo Hamburgo, Artigos de Frei Boaventura".

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