terça-feira, 29 de março de 2011

PREFEITO MANDA CANCELAR CHUVA; SEM SABER, HISTORIADOR É ELEITO GOVERNADOR: DOIS CASOS HILÁRIOS DA POLÍTICA BRASILEIRA

Certamente o leitor já ouviu falar ou conhece muito bem aquilo que se convencionou chamar de "indústria da seca". Quantos políticos não se aproveitaram da desgraça dos outros em benefício próprio!! Decerto uma investigação séria revelaria muitos segredos, os quais nem sempre são guardados a sete chaves.

O Nordeste brasileiro ficou conhecido como um lugar de grandes secas (hoje é conhecido por suas belas praias), e as grandes estiagens levaram o Governo Federal a destinar muito dinheiro para o combate aos efeitos da seca.

Por outro lado a verba fazia aumentar o capital de giro no comércio das pequenas cidades. E por falar em comércio, não faltaram denúncias de que comerciantes se aproveitavam da oportunidade e terminavam por se cadastrar como beneficiários.

Em 1950, aconteceu um caso inusitado numa pequena cidade da Paraíba. Beneficiada com a ajuda do governo estadual, a cidade de Monteiro foi alvo de chuvas pesadas, de modo que, em tese, deveriam cessar os motivos do envio da ajuda do Estado.

Com a chegada da chuva, o prefeito, aparentemente com boas intenções, cuidou de enviar um telegrama para o governador, nos seguintes dizeres: "Chuvas torrenciais cobriram todo Monteiro. População exultante. Saudações..."

Assim que souberam do teor do telegrama do prefeito, os comerciantes ficaram inquietos, com medo de perder os recursos destinados. Movido pela pressão dos comerciantes, o prefeito cedeu e enviou novo telegrama ao governador, que dizia: "Cancelo chuvas. População continua aflita".

Outro fato curioso diz respeito ao falecido historiador Arthur Cézar Ferreira dos Reis, escritor e estudioso da Amazônia. Em 1964, ele se encontrava em Genebra, Suíça, a serviço do governo brasileiro.

Após receber um telegrama da Presidência da República, retornou às pressas para o Brasil. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, foi cercado por jornalistas. Uns indagavam: "Como é que vai ser, professor?" E o professor respondia: "Como é que vai ser o quê?".

Percebendo que o historiador se mostrava alheio ao que estava acontecendo, os jornalistas trataram de abordar mais diretamente o tema em questão: "O Governo. O senhor foi eleito governador do Amazonas pela Assembleia Legislativa".

Sem alternativas, o novo governador desabafou: "Ai, meu Deus! Ninguém avisa mais nada à gente". Ele governou o Estado de 1964 a 1967, graças à ditadura militar.

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