sexta-feira, 29 de abril de 2011

INJUSTAMENTE ACUSADA DE TER INVENTADO O INFERNO, A IGREJA CATÓLICA NADA TEM A VER COM A ORIGEM DE TAL CRENÇA

Afinal, o Inferno existe ou não existe? Não é sobre esta pergunta que iremos tratar, embora certamente é uma pergunta que perturbou (e continua perturbando) os seres humanos há séculos e séculos.

Existindo ou não, ele, o Inferno, foi e continua sendo a arma central para convencer pessoas a aderirem às denominações religiosas que nele creem incondicionalmente.

No passado, a Igreja Católica se utilizou de tal crença para amedrontar e impor seus desejos não espirituais, ao passo que hoje, os protestantes apregoam, de forma viva - e assustadora - que há somente dois destinos: Céu e Inferno, de sorte que muitos se agarram a tais crenças unicamente movidos pelo medo da dor eterna.

Quem, enfim, criou e eficazmente divulgou tal crença? Os católicos, os protestantes, os judeus, os antigos gregos? Há, quem afirme, ter sido a Igreja Católica a criadora do "Inferno" como meio de manipulação. A referida acusação não procede.

Tais acusações recaem sobre o referido segmento religioso porque, praticamente desde sua oficialização, a Igreja Católica usou da força e do falso discurso para impor suas pretensões. É historicamente sabido que a Igreja mentiu, manipulou e, para "tristeza" de alguns protestantes, selecionou os livros que compõem o Novo Testamento da Bíblia dos próprios protestantes.

Assim, ficou no imaginário de leitores, estudantes e alguns professores, a ideia de que a Igreja Católica precisou criar um forte motivo para gerar medo nos fiéis, de modo que seus desejos fossem pacificamente alcançados.

Ao contrário do que muitos pensam, a crença na condenação ao Inferno (nos termos bíblicos) está documentada pelos cristãos antes mesmo da Igreja ter sido institucionalizada. Não estamos falando da Bíblia, mas de outros documentos, produzidos nos primeiros séculos - alguns, inclusive, no final do primeiro século. É o caso, por exemplo, de uma obra chamada de Didachê.

Tal documento fora escrito ainda no final do primeiro século (há quem afirme ter sido por volta de 120d.C.) e revela, de forma clara e indiscutível, a crença no seio cristão em relação ao Inferno. Até o momento não há acusações de que ele fora adulterado pela Igreja. Ou seja, até os críticos aceitam ser um documento autêntico. Diz o texto:

"Então a criação dos homens entrará no fogo do juízo e muitos tropeçarão e perecerão."

O Didachê está catalogado como um documento apócrifo pela Igreja. Católicos e protestantes não o aceitam como sendo digno de credibilidade porque há outros ensinamentos contrários aos dogmas oficiais dos citados segmentos religiosos. Ainda assim, subsiste o valor histórico em relação à crença que alguns cristãos já manifestavam no primeiro século.

Outros documentos não bíblicos também servem para provar que a Igreja Católica não inventou a crença no Inferno. Dois deles, produzidos no segundo século (vale lembrar que a Igreja Católica fora criada no século 4), revelam que a crença no Inferno era abundante.

Estamos falando de uma carta de Justino Mártir, um ex-seguidor do platonismo e estudioso do estoicismo, enderaçada ao imperador romano Antonino Pio, em meados do século II. Na citada carta, o estudioso Justino - que se converteu ao cristianismo e abandonou os princípios filosóficos gregos -, faz claras alusões ao Inferno, exatamente como o concebemos nos dias atuais.

Além do quê, o Inferno é citado ainda em outros documentos apócrifos, todos eles escritos antes mesmo da Igreja ter sido criada oficialmente. Assim, não se pode afirmar que a Igreja inventou o Inferno, embora seja correto que ela se utilizou de tal crença para alcançar seus desejos nada santos.

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terça-feira, 26 de abril de 2011

O USO DE TEMPLOS PAGÃOS POR CRISTÃOS: CORRESPONDÊNCIA PRIVADA REVELA AS INTENÇÕES DA IGREJA HÁ MAIS DE 1.400 ANOS

Carta escrita no ano 601 d.C., pelo Papa Gregório I, e endereçada a um abade, revela a intenção da Igreja em utilizar os templos pagãos para a atividade litúrgica cristã. Até o final desta postagem será divulgado trecho histórico da referida carta.

Ainda antes da Igreja cristã ter sido institucionalizada (século 4), ela teve que lidar com vestígios pagãos, como duendes, gnomos, fadas e deuses de chifres. As crenças cristãs e pagãs foram mescladas, de modo que várias correntes surgiram dentro da própria Igreja.

Não faltaram queixas, ainda nos primeiros séculos, dando conta de que o cristianismo já não era mais o mesmo daquele constatado nas primeiras décadas de seu nascimento.

A Igreja não hesitou e fez de tudo para enterrar de vez qualquer resíduo pagão: tornou-se noiva do Estado e perseguiu, a ferro e sangue, os relutantes. Vejamos, agora, as palavras do Papa Gregório (em 601) sobre a reutilização dos templos pagãos:

"Chegado à conclusão de que os templos dos ídolos entre esse povo não devem em hipótese alguma ser destruídos. Os ídolos devem ser destruídos, mas os próprios templos devem ser aspergidos com água-benta*, e neles instalados altares e depositadas relíquias."

Prossegue o papa:

"Pois se esses templos são bem construídos, devem ser purificados do culto aos demônios e dedicados ao serviço do verdadeiro Deus. Dessa maneira, esperamos que o povo, vendo que seus templos não são destruídos, abandone seu erro e, acorrendo mais rapidamente a seus locais de costume, venha a conhecer e adorar o verdadeiro Deus."

Conclui o Pontífice:

"E como têm o costume de sacrificar muitos bois ao demônio, que alguma outra solenidade substitua essa, como um dia de Dedicação ou a Festa dos Santos Mártires cujas relíquias estejam ali guardadas."

O texto, de grande valor histórico, mostra a astúcia do então papa, que, além de se utilizar dos templos pagãos - sem falar que pretendia destruir as estátuas -, ainda sugeriu que a festa dos antigos romanos fossem substituídas por outra solenidade, no caso uma festa ligada aos mártires, vistos como santos, inclusive nos dias atuais.

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* O blog adota o novo Acordo Ortográfico e se esforça por adotar os vocábulos oficializados pelo VOLP, da Academia Brasileira de Letras.

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terça-feira, 19 de abril de 2011

TEXTO SELETO ESCRITO EM MEADOS DO SÉCULO 16 REVELA UM POUCO SOBRE O CANIBALISMO INDÍGENA BRASILEIRO

Dia 19 de abril é oficialmente o Dia do Índio, uma criação (no caso do Brasil) do governo de Getúlio Vargas, cuja data serviria, além de outras temas correlatos, para que fossem feitos estudos e discussões sobre a cultura e sobre o espaço físico a que têm direito.

Não abordaremos a referida temática, mas nos limitaremos a expor um texto escrito em torno de 1556, por um alemão que foi feito prisioneiro pelos tupinambás, então canibalistas, assim como outras tribos da época. O livro Viagem ao Brasil, de Hans Staden (prisioneiro e autor do texto) foi uma das primeiras obras sobre o canibalismo dos índios brasileiros e, sem dúvida, é uma relíquia a ser preservada pelos amantes da história. Diz o texto:

"Quando chega o momento de se embriagarem, como é seu costume quando devoram alguma vítima, fazem de uma raiz uma bebida que chamam Kawi; bebem-na toda e matam o prisioneiro. No dia seguinte, ao beberem à morte do homem, cheguei-me para a vítima e lhe perguntei: 'Estás pronto para morrer?' Riu-se e me respondeu: 'Sim'."

Prossegue mais adiante o autor-testemunha, dando continuidade ao relato:

"Eu tinha comigo um livro, em língua portuguesa, que os selvagens tiraram de um navio que aprisionaram com o auxílio dos franceses; fizeram-me presente desse livro.

Deixei o prisioneiro e li o livro, e tive muita dó dele. Voltei a ter com ele porque os portugueses têm estes Maracajás por amigos, e lhe disse: 'Eu também sou prisioneiro como tu e não vim aqui para devorar a tua carne, foram os outros que me trouxeram'. Então respondeu que sabia bem que a nossa gente não come carne humana.

Disse-lhe mais, que não se afligisse porque, se lhe comiam a carne, sua alma ia para outro lugar, onde vão também as almas da nossa gente, e ali há muita alegria. Então perguntou-me se isso era verdade. Eu respondi que sim, e ele me disse que nunca vira a Deus. Respondi que na outra vida havia de vê-lo; e quando acabei de falar, deixei-o.

Na mesma noite em que com ele falei, levantou-se um forte vento, soprando tão horrorosamente que tirava pedaços das cobertas das casas. Os selvagens zangaram-se então comigo, e disseram-me (...) 'O maldito, o santo, fez agora vir o vento, porque olhou hoje no couro da trovoada', que era o livro que eu tinha. E eu alegrei-me com isso, porque o escravo era amigo dos portugueses e eu pensava que o mau tempo impedisse a festa. Orei, então, a Deus e Senhor, dizendo: 'Se tu me preservaste até agora, continua ainda porque estão zangados comigo."

A leitura do livro (que será a próxima indicação deste blog para o mês de maio) revela que o alemão Hans Staden era um homem altamente católico, e em todo instante esteve certo de que Deus o guardaria da morte no Brasil. Staden esteve duas vezes no país, no referido século e, quando chegou à Europa, publicou - inclusive com desenhos -, seu testemunho acerca de sua própria prisão pelos índios brasileiros e o modo pelo qual conseguiu escapar.

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domingo, 17 de abril de 2011

MALDIÇÕES NA FAMÍLIA REAL: FRADE FRANCISCANO TERIA SIDO O AUTOR DE TODAS ELAS

Ainda hoje há quem acredite e quem duvide de maldições; ou melhor, de seus efeitos, uma vez que para que seja proferida a maldição basta que alguém o faça por meio de palavras ou rituais especificamente direcionados para esse fim.

Sem debater o mérito de sua eficácia, falaremos sobre as informações que dão conta de que a família Bragança, da qual faziam parte os herdeiros portugueses que introduziram o Império no Brasil (D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II), fora vítima de uma maldição, feita ainda no século 17 por um frade franciscano.

O primeiro membro da família Bragança ao chegar ao poder português foi D. João IV, logo após a União Ibérica - período histórico em que Espanha e Portugal foram governados por reis espanhóis, cujo fim se deu em 1640.

Um frade franciscano pediu esmola ao duque de Bragança (D. João IV), e, como resposta, o monarca português deu-lhe um pontapé. Na ocasião o rei estaria de mau humor e não teria exitado ao desferir os chutes no pedinte.

Em represália, o frade rogou contra o rei uma maldição, segundo a qual todos os primogênitos da real dinastia dos Braganças morreriam ainda na infância, de modo que não alcançariam o trono.

D. Pedro I, que não era primogênito, parece ter sido vítima - se é que podemos falar assim -, de resquícios dessa "maldição": sofria de epilepsia, um mal que tirou seu sono por longos anos.

Até os dezoito anos de idade, D. Pedro havia sofrido no mínimo de seis ataques. O primeiro foi registrado depois de completar 13 anos de idade, em outubro de 1811. Em maio de 1816, sofreria de um violento ataque, ocorrido durante uma parada militar. O príncipe se debatia em convulções, com o rosto em terra e a boca cheia de espuma.

A maldição protagonizada pelo referido frade franciscano não era um assunto público, de modo que a família Bragança parecia evitar. Seria, na verdade, um segredo de família, em cuja crença não havia unaminidade por parte de seus membros, embora a família soubesse que foi o que de fato aconteceu: todos os primogênitos - sem exceção -, morreram na infância, fato constatado por mais de duzentos anos.

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

TEXTOS HISTÓRICOS QUE COMPROVARIAM A HISTORICIDADE DE JESUS CRISTO

O blog exporá, abaixo, os principais textos (eles não fazem parte da Bíblia nem dos livros apócrifos) que favorecem a tese de que Jesus Cristo é um personagem histórico. Diversos apologistas cristãos - incluindo historiadores e pesquisadores - adotam os referidos textos para defenderem que Jesus de fato existiu. Eles foram escritos nos três primeiros séculos e são da lavra de personagens cristãos e não cristãos. Atentar para os parênteses, que indicam a provável data em que foram escritos ou publicados inicialmente.
  • Sanhedrim 43a - Tamulde da Babilônia

“Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: 'Merece ser lapidado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferí-lo! Nada, porém se encontrou que o justificasse; então suspenderam-no à haste na véspera da Páscoa.”

Comentários da Enciclopédia Britânica a respeito do texto acima:

"A tradição judaica recolhe também notícias acerca de Jesus. Assim, no Talmude de Jerusalém e no da Babilônia incluem-se dados que, evidentemente, contradizem a visão cristã, mas que confirmam a existência histórica de Jesus de Nazaré."

  • Texto de Tallus (52 d.C.) compilado por Júlio Africano em 220 d.C.

“Esse evento seguiu-se a cada um de seus atos, e curas do corpo e da alma, e conhecimento das coisas ocultas, e sua ressurreição da morte, tudo isso suficientemente provado aos discípulos antes de nós e aos seus apóstolos: após a mais terrível treva ter caído sobre todo o mundo, as rochas partiram-se ao meio por um terremoto e muitos da Judéia e do resto da nação foram tragados. Talus aludiu essas trevas a um eclipse do sol no terceiro livro das suas Histórias, sem justificativa, ao que me parece... Pois... como poderíamos crer que um eclipse tomou lugar quando a lua estava diametralmente oposta ao sol? De fato, deixe-se estar. Deixemos a idéia de que isso aconteceu apanhar e afastar as multidões, e deixemos o prodígio cósmico ser admitido como um eclipse do sol, segundo sua aparência.' Flegon' reporta que nos tempos de Tibério César, durante a lua cheia um eclipse total do sol aconteceu da sexta até a nona hora. Claramente se trata do nosso eclipse! O que é comum a um terremoto, eclipse, rochas partindo, um subir dos mortos, e uma ação cósmica de tais proporções? No mínimo, sobre um longo período de tempo, nenhuma conjunção dessa magnitude é lembrada. Mas se tratava de uma escuridão de autoria divina, pois o Senhor apareceu para sofrer, e a Bíblia, em Daniel, dá suporte ao fato que setenta palmos de sete anos seriam consumados até essa ocasião.”

  • Texto(s) de Flávio Josefo - Escrito em 93 d.C.

"Mas este Ananus mais jovem, que, como já dissemos, assumiu o sumo sacerdócio, era um homem temperamental e muito insolente; ele era também da seita dos Saduceus, que são muito rígidos ao julgar ofensores, mais do que todos os outros judeus, como já tinhamos dito anteriormente; quando, portanto, Ananus supôs que tinha agora uma boa oportunidade: Festus estava morto, e Albinus estava viajando; assim ele reuniu o sinédrio dos juízes, e trouxe diante dele o irmão de Jesus, o que era chamado Cristo, cujo nome era Tiago e alguns outros; e quando ele formalizou uma acusação contra eles como infratores da lei; ele os entregou para serem apedrejados (...) Albinus concordou com eles e escreveu iradamente a Ananus, e o ameaçou dizendo que ele seria punido pelo que havia feito; por causa disso, o rei Agripa tirou o sumo sacerdócio dele (de Albanus), quando ele o tinha exercido por apenas três meses, e fez Jesus, filho de Damneus, sumo sacerdote."

O segundo Jesus não se confunde com o primeiro. São pessoas distintas. Fato pacificamente aceito na historiografia.

O texto a seguir, também do historiador Flávio Josefo (escrito em 93 d.C.), é aceito como adulterado (na parte em que se refere à divindade de Jesus), mas não se sabe ao certo com relação ao restante do texto:

"Havia neste tempo Jesus, um homem sábio, se é lícito chama-lo de homem, porque ele foi o autor de coisas admiráveis, um professor tal que fazia os homens receberem a verdade com prazer. Ele fez seguidores tanto entre os judeus como entre os gentios. Ele era o Cristo. E quando Pilatos, seguindo a sugestão dos principais entre nós, condeno-o à cruz, os que o amaram no princípio não o esqueceram; porque ele apareceu a eles vivo novamente no terceiro dia; como os divinos profetas tinham previsto estas e milhares de outras coisas maravilhosas a respeito dele. E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, não está extinta até hoje."

  • Textos de Justino Mártir - Escritos em 150 d.C.

“Mas estas palavras: ‘Transpassaram-me as mãos e os pés’ são uma descrição dos pregos com que lhe cravaram as mãos e os pés na cruz; e, após crucificado, os que o pregaram na cruz lançaram sorte para determinar quem lhe ficaria com as vestes, e as dividiram entre si; e que estas coisas foram assim, podeis vós verificar do que se contém nos ‘Atos’ que foram compilados sob Pôncio Pilatos.”

O segundo texto de Justino, diz:

“Que ele realizou estes milagres é coisa que podeis facilmente concluir dos ‘Atos’ de Pôncio Pilatos.”

  • Texto de Plínio, o jovem - Escrito em 112 d.C.

" . . . tinham (os cristãos) o hábito de reunir-se em um dia fixo antes de sair o sol, quando entoavam um cântico a Cristo como Deus e se comprometiam, mercê de solene juramento, a não praticar nenhum ato mau, a abster-se de toda fraudulência, furto e adultério, a jamais quebrar a palavra empenhada ou deixar de saldar um compromisso em chegando a data do vencimento, após o que era costume separarem-se e reunir-se novamente para participar do banquete comum, servindo-se de alimento de natureza ordinária e inocente."

  • Carta de Mara Bar-Serápion (entre 73 e 180 d.C.)

"Para que benefícios obtiveram os atenienses pondo Sócrates à morte, enquanto vendo que eles receberam como retribuição para isto escassez e pestilência? Ou as pessoas de Samos, queimando Pitágoras, vendo isso em uma hora em que todo o país deles estava coberto com areia? Ou os judeus pelo assassinato do Sábio Rei deles, vendo isso daquele mesmo tempo que o reino deles foi dirigido longe deles? Para com justiça Deus fez concessão uma recompensa para a sabedoria de todos os três. Para os atenienses morreu através de escassez; e as pessoas de Samos estavam cobertas pelo mar sem remédio; e aos judeus, trouxe a desolação e expeliu do reino deles, é afugentado em toda terra. Não, Sócrates não morreu, por causa de Platão; nem ainda Pitágoras, por causa da estátua de Hera; nem ainda o Sábio Rei, por causa das leis novas que ele ordenou."


A carta acima mencionada se encontra no Museu Britânico, em forma de manuscrito, escrito - muito provavelmente - entre os anos 73 d.C e 180 d.C. e enviada por um cidadão Sírio, chamado Mara Bar-Serápion, ao seu filho de nome Serápion.


  • Textos de Papias - Coligidos por Eusébio

Os textos a seguir estão coligidos na obra de Eusébio de Cesaréia, chamada
História Eclesiástica, escrita no ano 315 d.C.

  • Palavras de Papias (70 d.C. - 140 d.C.):


"Não vacilarei em apresentar-te ordenadamente com interpretações tudo o que um dia aprendi muito bem dos presbíteros e que recordo bem, seguro que estou de sua verdade."(...) E se por acaso chegava alguém que também havia seguido os presbíteros eu procurava discernir as palavras dos presbíteros: o que disse André, ou Pedro, ou Felipe ou Tomás, ou Tiago, ou João, ou Mateus ou qualquer outro discípulo do Senhor, porque eu pensava que não aproveitaria tanto o que tirasse dos livros como o que provêm de uma voz viva e durável."

"E o presbítero diz isto: Marcos, que foi intérprete de Pedro, pôs por escrito, ainda que não em ordem, o quanto recordava do que o Senhor o havia dito e feito."

  • Palavras de Eusébio:

"O próprio Papias no entanto, segundo o prólogo de seus tratados, não se apresenta de modo algum como ouvinte e testemunha ocular dos sagrados apóstolos, mas ensina-nos que recebeu o referente à fé da boca de outros que os conheceram(...)"

"Agora bem, Papias, de quem estamos falando, confessa que recebeu as palavras dos Apóstolos [por meio] de [dos] discípulos destes [apóstolos], enquanto que de Aristion e de João, o Presbítero, ele diz ter sido ouvinte direto. Efetivamente menciona-os pelo nome várias vezes em seus escritos e compila suas tradições."

"Pois bem, já foi explicado mais acima que o apóstolo Felipe morou em Hierápolis com suas filhas, mas agora há que se assinalar como Papias, que viveu nesse tempo, faz menção de haver recebido um relato maravilhoso da boca das filhas de Felipe."

  • Textos de Irineu (130 a 202 d.C.) - Coligidos por Eusébio. Consta também testemunho de Policarpo (70 a 157 d.C.)

  • Palavras de Irineu:

"E também Policarpo, não somente foi instruído pelos apóstolos e conviveu com muitos que haviam visto o Senhor, mas também foi instruído bispo da Ásia pelos apóstolos, na Igreja de Esmirna. Nós inclusive o vimos em nossa juventude."

"E há quem o tenham ouvido dizer que João, o discípulo do Senhor, indo banhar-se em Éfeso (...)"

"(...)Estas opiniões (de Floriono) não te foram transmitidas pelos presbíteros que nos precederam, os que juntos frequentaram a companhia dos apóstolos, porque sendo eu ainda criança, te vi (Floriono) na casa de Policarpo na Ásia Inferior, quando tinhas uma brilhante atuação no Palácio Imperial e te esforçavas para ter crédito perante ele (Policarpo). E recordo-me mais dos fatos de então do que dos recentes (...) tanto que posso inclusive dizer o local em que o bem-aventurado Policarpo dialogava sentado, assim como suas saídas e e entradas, seu modo de vida e o aspecto de seu corpo, os discursos que fazia ao povo, como descrevia suas relações com João e com os demais que haviam visto o Senhor e como recordava as palavras de uns e de outros; e os que tinha ouvido deles sobre o Senhor, seus milagres e seu ensinamento; e copo Policarpo, depois de tê-lo recebido destas testemunhas oculares da vida do Verbo (Jesus), relata tudo em consonância com as Escrituras. E estas coisas, pela misericórdia que Deus teve para comigo, também eu escutava então diligentemente e as anotava, mas não em papel, mas em meu coração (...). Isto pode-se também comprovar claramente pelas cartas que escreveu (Policarpo), seja às Igrejas vizinhas, confortando-as, seja a alguns irmãos admoestando-os e exortando-os."

  • Texto de Cornélio Tácito - Escrito em 115 d.C.

"Mas nem por meios humanos; nem pelas liberalidades do Imperador nem pelas expiações religiosas se apagava o rumor infamante que atribuía o incêndio às ordens de Nero. Para destruir tais murmúrios, ele procurou pretensos culpados e fê-los sofrer as mais cruéis torturas, pobres indivíduos odiados pelas suas torpezas e vulgarmente chamados cristãos. Quem lhes dava este nome, Cristo, no tempo de Tibério, foi condenado ao suplício pelo Procurador Pôncio Pilatos. Embora reprimida no momento, esta perigosa superstição irrompia de novo, não só na Judéia, berço desse flagelo, mas até mesmo na própria Roma, para onde afluem do mundo inteiro e conquistam voga todas as coisas horríveis e vergonhosas. Logo a princípio foram presos os que se confessavam cristãos, depois pelas revelações destes, grande multidão foi convencida não do crime do incêncdio, mas de odiar o gênero humano. Ao suplício dos que morriam juntava-se o escárnio, pois envolviam as vítimas com peles de feras, e as expunham às lacerações dos cães, ou eram amarradas em cruzes ou destinadas a serem queimadas e, desde que acabava o dia, eram destruídas pelo fogo à guisa de tochas noturnas. Nero tinha cedido seus jardins para esses espetáculos e ao mesmo tempo celebrava jogos no circo, confundindo-se com a plebe, em hábitos de auriga, conduzindo carros. Então, posto que os castigos se dirigissem aos cristãos culpados e merecedores dos maiores suplícios, levantava-se por eles comovida compaixão, porque eram imolados menos por um motivo público, que pela crueldade de um só homem."

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domingo, 10 de abril de 2011

EPITÁFIO: FRUTO DA VAIDADE HUMANA?

Epitáfios são aquelas inscrições sobre lápides e túmulos. Sua origem remonta à Antiguidade e foram os romanos quem justificaram sua necessidade, além de serem os grandes responsáveis pela exportação de tal costume, até hoje em moda, embora tais inscrições estejam praticamente limitadas à publicação das datas (nascimento e falecimento).

Como vimos em outro momento, o enterro dos mortos deixa de ser, aos poucos, um ato que tenderia a esconder não somente o corpo, como também a memória do falecido. Assim, para o antigo romano, enterrar o corpo numa cova era uma forma de sepultar, juntamento com ele, as virtudes (então constituídas das vaidades pessoais e dos valores dignos de ser copiados pelos passantes).

A vaidade romana precisava de holofotes. O enterro passou a ser, enfim, uma excelente oportunidade para registrar os feitos de seu titular. Como a fama estava diretamente associada à virtude, quanto mais famoso, mais virtude, como bem anotou o antigo historiador Tácito.

O auge deste afã foi registrado entre os séculos I e III (d.C.). Em tal período, era moda os romanos dialogarem sobre seus funerais enquanto participavam de banquetes. Embora os antigos romanos fossem altamente supersticiosos, falar sobre seus funerais em momentos tão festivos não era prova de maus presságios.

Ocorria, às vezes, de muitos deles redigirem suas próprias inscrições enquanto se divertiam com os amigos. Era um momento oportuno para se falar sobre seus feitos, suas virtudes, seus prodígios. O avançar da bebedeira concorria para que alguns lessem, para os demais, aquilo que se pretendia ficasse registrado em suas respectivas lápides.

Havia inscrições para todo tipo e gosto. Uns recomendavam que o transeunte aproveitasse a vida e fizesse de tudo para alcançar o maior prazer possível. Outros, recomendavam princípios ligados à filosofia grega, como o estoicismo e o epicurismo. Outros, por sua vez, aproveitavam para denunciar seus algozes em vida, enquanto não faltou quem amaldiçoasse seus desafetos, desejando-lhes as pragas do inferno.

De modo sucinto, a tumba e a lápide (principalmente esta) são elementos criados pela vaidade humana, notadamente pela vaidade romana, em um período em que fama e virtude se confundiam. A tumba, já há muito usada pelos egípcios, foi substituta das covas e mastabas, ambas frágeis aos projetos ambiciosos do referido povo oriental, cujo projeto estava centralizado unicamente na religião.

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

MÉTODOS PARA EVITAR QUE O DEFUNTO FUJA DO TÚMULO

Recentemente o ex-vice-presidente da República do Brasil, José de Alencar, foi cremado, uma prática cada vez mais crescente no país. Tal prática, no entanto, é antiga e está associada a diversas razões. Diferentemente da cremação - e da cova -, o uso da tumba se tornou uma prova da vaidade do ser humano, não pelo aspecto ligado à beleza exterior, mas pelo desejo de revelar aos outros suas últimas vontades.

O uso da cremação do corpo se deveu, além dos motivos associados à higiene, à crença no sobrenatural, notadamente no final da Idade Antiga e início da Idade Média. Acreditava-se que a alma do morto conseguia sair do túmulo e tinha ainda poderes para pecorrer diversos lugares em pouco tempo.

A cova já não era mais suficiente para prender o defunto em seu último assento. Precisava-se destruí-la (a alma), juntamente com o corpo do morto. Assim, embora a cremação não tenha surgido com tal finalidade, os antigos romanos e muitos europeus que viveram no final da Idade Antiga e início da Idade Média vão alimentar a crença de que a cremação era a única forma de fazer com que a alma do morto não voltasse para assombrar os seres vivos.

Era costume entre os antigos europeus, o ato de se enterrar os mortos à beira das estradas. Geralmente, era comum se deparar com verdadeiros cemitérios que se prolongavam ao longo das estradas, um ambiente propício aos relatos de visão de almas que, via de regra, gostavam de assombrar os vivos. Tal crença fez com que muitos parentes plantassem arbustos espinhosos ao redor dos túmulos, cuja finalidade era prender a alma que se aventurasse a vagar por caminhos que não mais lhe pertenciam.

Além do quê, os antigos europeus eram partícipes de outra tradição, que mesclada ao cristianismo, atravessou os oceanos e chegou à América.

Acreditava-se que, isolado numa cova, o defunto sofria de uma verdadeira solidão, indigna de seus atributos enquanto fora vivo. Assim como alguns africanos já praticavam, eles - os parentes vivos -, desejavam estar mais perto do ente querido, de modo que não somente as tristezas, como também as alegrias deveriam ser compartilhadas.

Foi assim que se alimentou mais e mais o desejo de fazer oferendas e verdadeiras festas junto aos túmulos dos falecidos, sem falar que tais crenças ajudaram a justificar a necessidade de se enterrar os mortos sob o piso das igrejas cristãs, uma forma, portanto, de deixar o falecido mais próximo de Deus - que, em última instância, tinha o poder de acalmar a alma daquele que se achava imerso num mundo de solidão: a cova.

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domingo, 3 de abril de 2011

JESUS NUNCA RIU E TINHA A PELE PÁLIDA. PAULO, O APÓSTOLO, ERA CARECA E TINHA AS PERNAS TORTAS: O RETRATO FÍSICO DOS DOIS GRANDES NOMES DO NT

Afinal, qual a aparência de Jesus e do apóstolo Paulo? A Bíblia não os descreve fisicamente, embora dê a entender, em relação a Paulo, que ele não era de boa aparência. Se a Bíblia faz silêncio nesse sentido, uma carta de um senador romano - supostamente escrita quando Jesus ainda era vivo - e uma epístola do II século d.C., fazem menção aos aspectos físicos dos dois. As descrições não são aceitas pelos católicos nem pelos protestantes.

Sobre o apóstolo, a descrição se limita a afirmar que ele era "um homem de pequena estatura, sobrancelhas sem separação, nariz avantajdo, calvo, pernas arqueadas [em forma de arco], de compleição forte...". Sendo verdadeira tal descrição e sendo verdadeiro o conteúdo das epístolas aos coríntios, explica-se a preferência dos crentes de Corinto por um outro "pregador", aparentemente bem mais bonito e ávido nas palavras.

Sobre a aparência de Jesus, veja o que diz parte da carta do senador romano:

"É um homem alto e de majestosa aparência; sua face, ao mesmo tempo severa e doce, inspira respeito e amor a quem a vê. Seu cabelo é da cor do vinho e desce ondulado sobre os ombros; é dividido ao meio, ao estilo nazareno. Sua testa, pura e altiva, sua pele pálida e límpida; a boca e o nariz são perfeitos; a barba é abundante e da mesma cor dos cabelos; as mãos, finas e compridas; os braços, de uma graça encantadora; os olhos, azuis, plácidos e brilhantes."

Prossegue o senador:

"Ninguém o viu rir, mas muitos o têm visto chorar. Caminha com os pés descalços e a cabeça descoberta. Vendo-o à distância, há quem o despreze, mas em sua presença não há quem não estremeça com profundo respeito."

Outra descrição, de autoria de um tal Nicephorus Calixtus, afirma que Jesus tinha a barba e o cabelo loiros, de modo que aquela não era longa, enquanto seus cabelos eram muito compridos, pois só haviam sido cortados por sua mãe, quando ele ainda era uma criança. Também dizia que seu rosto não era nem redondo nem comprido e, de maneira geral, afirmava que ele era fisicamente parecido com Maria, sua mãe.

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