terça-feira, 31 de maio de 2011

SE FOSSE NA ROMA ANTIGA, PALOCCI SAIRIA DO GOVERNO? TIRE SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES

Quem têm prioridade: os direitos individuais ou os direitos coletivos? A vontade pessoal ou o interesse social? Nos dias hoje, principalmente em países oficialmente democráticos, como o Brasil, é cada vez mais frequente a divulgação de ensinamentos que priorizam o interesse social em detrimento da vontade pessoal.

Concomitantemente, a mídia cada vez mais tem trazido à tona escândalos políticos e, uma vez exposto o escândalo, insufla a sociedade a exigir que sejam tomadas medidas cabíveis, sejam administrativas, sejam judiciais. Um dos casos recentes aponta, por exemplo, para o ministro Antônio Palocci, alvo de pesadas acusações.

Palocci resistirá? Não vamos debater o mérito das acusações. Uma coisa, porém, é certa: a opinião pública é um dos fatores que pode contribuir para que ele saia do Governo. Abaixo, um breve relato do berço dessa relação entre opinião pública e a mudança de hábitos individuais e coletivos.

Outra vez vamos nos voltar à velha Roma. Já vimos que foi lá onde as tumbas passaram a ter um valor pedagógico, ou, melhor dizendo, possibilitaram a exposição ao grande público daquilo que era de notável interesse de seu titular, no caso o defunto.

Foi lá também que se difundiu e se consolidou o hábito de "batizar" os prédios públicos com nomes de pessoas, uma prática ainda presente nos dias de hoje.

Tudo não se deu da noite para o dia, e aos poucos se constatou que o grande juiz já não era o juiz de direito propriamente dito, e sim a sociedade, a opinão pública, embora o magistrado tivesse, legalmente, o poder de impor suas decisões. O romano viu-se fadado a mudar radicalmente seus hábitos caso estes não tivessem a aprovação da sociedade, da opinião pública.

Só para se ter uma ideia, aos poucos os credores descobriram uma forma eficaz de conseguir de volta o dinheiro emprestado ou objeto de uma venda comercial. Quando o devedor se achava circulando em uma rua mais movimentada, o credor o surpreendia em público e passava a lhe cobrir de insultos, ora cobrando a dívida em voz alta, ora cantando-lhe uma canção zombeteira, na qual reclamava o débito.

A lei de então não proibia tal comportamento, desde que não fossem proferidas palavras obscenas, visto que, para os juristas, a coletividade deveria ser poupada de palavras e gestos associados à sexualidade.

Para o devedor, que não pretendia ser reprovado pela opinião pública, só havia duas alternativas: pagar a dívida ou tentar comover a sociedade, em cuja situação geralmente ele, o devedor, deixava o cabelo crescer e fazia greve de fome. O objetivo, portanto, era fazer com que a sociedade o enxergasse como a grande vítima e não mais como um mau pagador.

Esse legado foi passado ao Ocidente, e o Direito está impregnado de tais ideias, e, graças aos meios de comunicação, elas têm sido usadas em muitos casos, que, sozinhos, talvez não tivessem a relevância que alcançam depois que chegam ao conhecimento da sociedade.

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

A ORIGEM DO JARDIM DE INFÂNCIA NO BRASIL

A origem do termo jardim de infância é atribuída ao protestante Friedrich Frobel (1782 - 1752), um pedagogo alemão com destacável atuação como educador infantil. Em 1837 ele pôs em prática seu primeiro jardim de infância, onde as crianças eram consideradas plantinhas de um jardim (daí o nome).

Antes dele e das escolas infantis do século 19, a Europa já havia experimentado o uso de salas destinadas ao abrigo de crianças. Em 1816, um reformista social e empresário escocês abriu uma sala destinada a abrigar e a educar filhos de seus operários. Fenômeno parecido foi constatado na França, dez anos depois.

No Brasil, a criação do primeiro jardim de infância se deu em 1875, no Colégio Menezes Vieira, mesmo nome de seu fundador, o médico Joaquim José Menezes Vieira (1848 - 1897). Sua esposa, Carlota, foi cofundadora do mesmo colégio, cuja atuação em nada deixou a desejar a de seu esposo.

O colégio funcionava no Centro do Rio de Janeiro, que na época era a capital do país. O modelo adotado repercutiu na capital federal. O próprio imperador, D. Pedro II, visitava a escola e parecia ter as melhores impressões do recém-implantado jardim de infância.

O jornal Gazeta de Notícia divulgou, em 1881, que "Sua Majestade retirou-se à 1 hora da tarde, tendo antes visitado todas as dependências do estabelecimento e manifestado sua satisfação por vê-lo bem montado e em tão lisonjeiras condições". O imperador, como se sabe, era um grande leitor e incentivador da leitura, sem falar que tinha o hábito de visitar as escolas do Rio de Janeiro.

As salas comportavam aproximadamente 30 alunos, que eram introduzidos à ginástica, ao desenho, à pintura, à jardinagem... O professor deveria conceder extrema liberdade ao aluno. Já havia cartazes que traziam frases do tipo: "A vida da criança deve ser uma festa perpétua" e "Oh! O jardim há de dar o que os cárceres não deram".

O casal Menezes Vieira e Carlota, que havia se inspirado no educador alemão, logo foi copiado por outros colégios. Já na década de 80 do século 19 o Rio de Janeiro viu-se alvo do crescimento do modelo então implantado.

Embora educadores tivessem apoiado o modelo em questão, a ideia de educação infantil ainda não estava bem incorporada no país. Para muitos, as escolas para crianças "roubavam" o papel da família, uma vez que, para os tais, o papel de educador cabia ao pai e à mãe e não às tias (termo ainda hoje usado para professoras, cuja origem também se deu no citado século).

O projeto, porém, prosseguiu, e o advento da República só aumentou o número de salas de aula nas escolas do país com tal fim pedagógico, principalmente nas grandes capitais. Na década de 20 do século XX, o país já contava com aproximadamente 50 jardins de infância.

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

BENTO XVI SERÁ O PENÚLTIMO PAPA, AFIRMA SANTO CATÓLICO

Há quem afirme que o atual Papa, Bento XVI, e o então Papa, João Paulo II, tinham um bom motivo para rolar sobre o travesseiro durante as madrugadas: o Papado estaria com os dias contados e Bento XVI seria o penúltimo Pontífice.

Há séculos e séculos que a Igreja Católica não utiliza a Bíblia como única regra de fé. Os concílios, a "infalibilidade" papal e as visões de Maria em Fátima, por exemplo, têm seu enorme peso quando o tema é credibilidade. Aliás, quando se fala em profecias, é bom lembrar também que várias denominações protestantes, ainda nos dias atuais, as utilizam para exortarem ou confortarem algum fiel, sob a justificativa de que o profeta evangélico fala em nome de Deus.

Em 1094 nasceu um monge irlandês, que se tornaria conhecido por São Malaquias, uma vez que fora canonizado no final do século 12. Fora amigo do conhecido São Bernardo, uma das maiores personalidades católicas de então.

O monge irlandês, que previu o exato dia em que morreria, profetizou sobre os últimos dias do Papado. Segundo ele, a partir de suas interpretações, a sucessão papal terminaria depois que subissem ao trono 111 papas, o que faria de Bento XVI o penúltimo deles.

Ele ainda previu o fim de Roma, cuja destruição ocorrerá com a chegada do novo papa. Para o profeta irlandês (considerado santo, pela Igreja), a Santa Sé seria perseguida e vitoriosa.

O "santo" católico conclui:

"Na perseguição final à Santa Igreja Romana, reinará o romano Pedro, que apascentará seu rebanho por entre muitas tribulações; após o quê, a cidade das sete colinas [Roma] será destruída e o temível Juiz virá julgar o povo."

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

RUI BARBOSA E SUA LUTA PELA IMPLANTAÇÃO DA DISCIPLINA DESENHO NA EDUCAÇÃO DO BRASIL

Rui Barbosa (1849 - 1923), conhecido jurista brasileiro com respeitada atuação nacional e internacional - e profundo estudioso da língua portuguesa -, não era um homem somente do Direito e do Português. Seu conhecimento era amplo e abordava outras disciplinas - bem no estilo de vários renascentista -, de sorte que ele, Rui Barbosa, se tornou um homem admirado, inclusive, por seus discursos e por suas ideias sobre a educação do país.

Ele estava convencido de que a educação era algo imprescindível para o país, cujo mérito por excelência dizia respeito à capacitação do indivíduo para servir à sociedade de modo proveitoso. Ele não poupou críticas acerca da qualidade do ensino reservado aos pobres, pois, segundo Rui, somente uma elite dispunha de um nível melhor (como se vê, a crítica é antiga e remonta às origens da implantação do ensino oficial pelo Estado brasileiro).

Para Rui Barbosa, o país deveria acrescentar a disciplina Desenho no rol daquelas adotadas oficialmente, visto que, de acordo com o jurista, a nova disciplina ajudaria o aluno a desenvolver outras habilidades.

Em 1879, criticou a reforma do ensino feita no país por D. Pedro II (embora pela primeira vez ela tenha permitido que escravos pudessem frequentar as salas de aula - algo que na prática não aconteceu), pois, no entendimento de Rui Barbosa, ela não ampliou satisfatoriamente o número de disciplinas do ensino primário e secundário (este último criado em meados do mesmo século).

Na prática, as poucas escolas continuavam ensinando o aluno a ler, a escrever e a fazer as quatro operações matemáticas, contrariando as determinações de uma lei de 1827 (então em vigor), que previa, também, o ensino de proporção e geometria na disciplina de matemática.

Segundo Rui Barbosa, a prática do desenho é anterior à escrita. Aquela levou a esta, um retrato do processo evolutivo da própria humanidade. O desenho demonstra a espontaneidade, o instinto intuitivo, enfim, a liberdade de expressão do ser humano, entendia o jurista, tanto que planejou a construção da Escola Normal Nacional de Arte Aplicada, no Rio de Janeiro, cujo objetivo principal seria formar professores para o ensino da nova disciplina.

Em 1882, numa conferência realizada no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, ele proferiu o seguinte discurso:

"Que agente é esse, capaz de operar no mundo, sem a perda de uma gota de sangue, essas transformações incalculáveis, prosperar ou empobrecer Estados, vestir ou despir aos povos o manto da opulência comercial? O Desenho, senhores, unicamente, essa modesta e amável disciplina, pacificadora, comunicativa afetuosa entre todas: o desenho professado às crianças e aos adultos, desde jardim de infância até a universidade, como base obrigatória na educação de todas as camadas sociais."

Rui Barbosa escreveu vários artigos sobre o tema, muitos lidos inclusive pelo próprio D. Pedro II, que, efetivamente, optou por menosprezar as ideias do jurista brasileiro.

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sábado, 7 de maio de 2011

ESCRITOR LATINO QUE NASCEU NO PRIMEIRO SÉCULO CONTA EM DETALHES AS INTIMIDADES SEXUAIS E ALIMENTARES DE NERO, BEM COMO OUTRAS TRAVESSURAS DO IMPERADOR

Os textos que você lerá agora são extraídos da obra A Vida dos Dozes Césares, de Caio Suetônio, escritor latino (69 - 141 d.C.), contemporâneo de Tácito, Juvenal e Plínio, cujos nomes, acompanhados de Virgílio, Horácio, Tito Lívio, Ovídio e Cícero, marcam o apogeu dos escritores latinos que viveram na Antiguidade.

Sobre as travessuras de Nero durante à noite:

"Ao anoitecer, punha um boné ou um barrete e saía a percorrer as tavernas, vagabundear pelas ruas a título de brinquedo, mas não inofensivo. De fato, surrava pessoas que retornavam do jantar e, se resistissem, as feria e as afogava nos esgotos. Chegava a arrombar as portas das pequenas bodegas e roubá-las."

Prossegue Suetônio:

"Abrira, em sua casa, uma espécie de mercado onde vendia o produto do saque às porções, em leilões, para dissipar o rendimento. Muitas vezes, nas disputas e brigas, arriscou-se a perder os olhos e a vida. Um homem, cuja mulher fora por ele insultada, pensou em derrubá-lo a golpes de ferro. Depois disso, nunca mais se expôs em público a tal hora sem a proteção dos tribunos."

Sobre seus hábitos alimentares:

"Prolongava suas refeições desde o meio-dia até a meia-noite e restaurava suas forças tomando com frequência banhos mornos, ou, se no verão, refrescando-se com a neve. Jantava, também, quase sempre, em lugar público ... ora no Circo Máximo, onde era servido pelas prostitutras de toda a cidade e tocadora de flauta."

Sobre seu apetite sexual pela própria mãe:

"Narra-se inclusive, que toda vez que andava em liteira com sua mãe satisfazia com ela seus apetites incestuosos e provava esse fato com as manchas apresentadas em suas vestes."

Sobre seus gastos pessoais:

"Jamais usou duas vezes a mesma roupa. Jogou aos dados a quatrocentos mil sestércios a partida. Pescava com anzol de ouro, cuja linha era trançada de púrpula escarlate. Em tempo algum se opôs em marcha com menos de mil carros, com mulas ferradas de prata... um grupo de mazices e cavalos ornados de braceletes e colares."

Sobre suas relações homossexuais:

"Sem falar das relações sexuais com homens livres e das suas libidinagens com mulheres casadas, deflorou uma virgem Vestal, Rúblia (...) Esforçou-se, mesmo, por transformar em mulher, arrancando-lhe os testículos, o jovem Esporo. Carregou-o em régia pompa, observando todos os ritos esponsálicos e o tratou como verdadeira mulher."

Em outro texto, diz o mesmo autor sobre as fantasias sexuais de Nero:

"Prostituiu seu corpo a tal ponto que, maculados quase todos os membros, imaginou, enfim, como uma espécie de divertimento, cobrir-se com uma pele de fera e fazer-se encerrar numa jaula, de onde se lançava, ao sair, às virilhas de homens e mulheres atados a um poste."

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

O PONTIFICADO DE JOÃO PAULO II FOI UM PROGRESSO OU UM REGRESSO?

Dia 1º de maio entra para a história não somente como o Dia do Trabalho, mas agora pela beatificação de João Paulo II, o Papa que caiu na graça dos fiéis católicos. Esforços é o que não faltam no sentido de solidificar a versão de que ele foi um Pontífice moderno, de ter sido um grande protagonista do diálogo inter-religioso, de ter sido, enfim, uma ponte que estreitou abismos históricos que separavam a Igreja do mundo e dos demais segmentos religiosos.

Não é bem assim que está nos anais de seu pontificado, e o blog tentará mostrar, de forma breve, que o governo de João Paulo II foi, em alguns aspectos, um retrocesso, sendo que muitas ações "infalíveis" que emanaram do referido Papa estiveram diretamente associadas a Ratzinger (Bento XVI), então seu confidente número 1 e visto por muitos pesquisadores como um cardeal típico da Igreja histórica.

Até hoje o atual Papa não engole o Iluminismo nem o século 19, considerados dois grandes monstros para a Igreja Católica, tanto que ele, em agosto de 1984, chegou a afirmar que estava "convencido de que o dano em que incorremos nestes vinte anos se deve ... fora da Igreja, a um confronto com uma revolução cultural no Ocidente".

Afinal, o que tem a ver tal afirmação com o Papa (agora beato) João Paulo II, já que ela fora pronunciada por Bento XVI? Antes de tentarmos responder, vale relembrar que Bento XVI fora escolhido por João Paulo II para ser o Prefeito da Congregação para a Doutrona da Fé (a Inquisição, numa versão moderna). Os dois eram amicíssimos, e não dispensavam os encontros às portas fechadas às sextas-feiras, de sorte que as decisões do então cardeal Bento XVI tinham a aprovação de João Paulo II.

O Concílio Vaticano II, realizado no início da década de 60 passada, foi um marco na histórica da Igreja: acabou com a missa em latim, extinguiu o Index, e, por meio de uma encíclica publicada em 1963, o então Papa, João XXIII, abraçou e aprovou o progresso que seus antecessores do século 19 tanto condenaram. Se João XXIII (não confundir com João Paulo II) não tivesse morrido tão cedo, certamente a Igreja Católica seria outra. Karol Wojtyla não estava preparado para dar continuidade (alguns anos depois) ao que fora iniciado por João 23 e, apoiado pelo então cardeal Ratzinger, decidiu, de forma dissimulada, embargar a Contemporaneidade.

Partindo do pressuposto de que o mundo moderno era um potencial inimigo da Igreja, João Paulo II atacou: percebendo que muitos sacerdotes desejavam uma Igreja mais evoluída, digna do século XX, o então Papa (hoje beato) ordenou, em 1989, que Ratzinger exigisse oficialmente que os novos nomeados para os seminários e universidades católicas – incluindo reitores e professores de teologia e filosofia -, fizessem não somente uma profissão de fé, como também um juramento de fidelidade. Isto mesmo: professores de filosofia jurando, oficialmente, que em suas aulas não deveria ser ensinado algo que viesse embargar os princípios e projetos católicos, dentre os quais a infalibilidade papal.

Em 1990, a Congregação, dirigida por Ratzinger, produziu um rascunho do que seria o novo Catecismo Universal da Fé Católica, um documento que continha mais de 350 páginas. Dentre tantos outros ensinamentos, estava a confirmação de que o Papa não erra, jamais erra. Além do quê, o texto dizia: “A tarefa de dar uma interpretação autêntica da Palavra de Deus, seja em sua forma escrita ou na forma da tradição, foi confiada apenas ao departamento do ensino vivo da Igreja”. Era a confirmação, a aceitação e a imposição de valores eclesiásticos duramente combatidos por crédulos e incrédulos em quase toda a história da Igreja.

O rascunho fora enviado a todos os bispos católicos ao redor do Planeta e pedia sugestões; mas vazou e a imprensa não pensou duas vezes e o publicou. Um grande número de católicos e não católicos ficou chocado com o conteúdo, recheado de uma psicologia raivosa, pronta a rebater e condenar a Modernidade. Muitos se decepcionaram e viram morrer a chance de contemplar uma Igreja digna do presente século.

Logo que o documento vazou, Ratzinger (hoje Bento XVI), e com a aprovação de João Paulo II, apressou-se para evitar uma grave crise interna, uma vez que eram divergentes as opiniões dos sacerdotes que compunham a própria Igreja Católica. Assim se expressou o governo de João Paulo II, através de Ratzinger: “A liberdade do ato de fé não pode justificar o direito de dissidir. Essa liberdade não indica liberdade em relação à verdade, mas a livre determinação da pessoa em conformidade com a sua obrigação moral de aceitar a verdade”.

Em outras palavras, somos livres para pensar, mas somente se for dentro da vontade da Igreja, caso contrário estamos usando dessa liberdade para nos insugirmos contra a Igreja e, portanto, contra a verdade. O texto era claro: que sejam combatidos os pensamentos contrários aos da Igreja.

Lembremo-nos, também, de que João Paulo II defendeu que somente a Igreja Católica pode interpretar suficientemente a Bíblia, algo duramente combatido desde os tempos medievais. Não era o que defendia João 23. Impossível falar do governo de João Paulo II e não associá-lo à noção de regresso, pelo menos em relação ao papa que deu início ao Concílio Vaticano II.

No governo de João Paulo II, padres foram expulsos por pensarem diferente. Uma freira brasileira foi desterrada para a Bélgica, sob o pretexto de que deveria melhor interpretar a Bíblia. Um padre alemão, que por quatro vezes foi obrigado a comparecer aos tribunais nazistas, afirmou que a Congregação dirigida por Ratzinger (quando João Paulo II era Papa) era mais ofensiva em seus interrogatórios do que os referidos tribunais de Hitler. Ele, o citado padre, experimentou de perto os dois inquisidores e certamente não falou à toa.

A presente matéria não tem por fim rebater ou desacreditar o “milagre” atribuído a João Paulo II, mas apenas expor, para reflexão, fatos históricos que, por conveniência católica, não chegam de forma clara ao mundo.

É difícil, também, não imaginar que Ratzinger esteja interessado em santificar João Paulo II por questões pessoais, afinal, por mais que os bastidores do pontificado de João Paulo II não lhe sejam tão favoráveis como divulgam, ele foi um papa do povo, ao contrário de Ratzinger, que durante o tempo em que esteve à frente da Congregação (antiga Inquisição), ficou marcado como um homem cruel, duro, típico representante do catolicismo histórico que marcou séculos. É, sem dúvida, uma oportunidade de amenizar um pouco sua má fama, ainda que realmente João Paulo II esteja conversando com Deus, e intercedendo por seus novos fiéis.

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