domingo, 16 de outubro de 2011

EM "O ANTICRISTO", NIETZSCHE FAZ AS MAIS DURAS CRÍTICAS AO CRISTIANISMO


“Há dias em que se apodera de mim um sentimento mais negro que a mais negra melancolia: o desprezo pelos homens. E, para não deixar dúvida alguma sobre o que desprezo e a quem desprezo, direi que é o homem de hoje, de quem por fatalidade sou contemporâneo.” Eis o que Nietzsche pensava de sua geração.

Para o filósofo, a existência não pode se transformar em expiação. Não é possível julgar a existência e entendê-la a partir de um princípio de ofensa a um ser sobrenatural. Para ele, o ser humano sentiu a necessidade de inventar Deus para responder a seus próprios vazios, mas não poderia ter feito em total desvantagem para a vida como ela é aqui e agora.

Nietzsche afirma que o cristianismo é um fardo, uma invenção sem necessidade, um obstáculo ao livre caminhar da humanidade. Para ele, Paulo, “o maior dos apóstolos da vingança”, foi o grande responsável por transformar o que era inocente em religião da culpa

O filósofo sustenta que os cristãos são produtos da fraqueza, do ódio, do rancor, são seres carentes e ressentidos. O filósofo defende que o cristianismo é tão perigoso que chegou a corromper homens como Pascal, a ponto de assassiná-lo lentamente com os tormentos de uma crença no além. Para ele, o cristianismo desencadeia no homem um processo de envelhecimento, de desespero e ansiedade perante este mundo.

Nietzsche questiona a necessidade da existência de Deus: “Que valeria um Deus que não conhecesse nem a cólera, nem a vingança, nem a inveja, nem o engano, nem a astúcia, nem a violência, que ignorasse até os maravilhosos ardores da vitória e da destruição? Um tal Deus não se compreenderia; então para que o ter?”.

Abaixo, selecionamos vários trechos do livro O Anticristo, em cuja obra Nietzsche faz duras críticas ao cristianismo, ao protestantismo, ao cristão, aos valores morais bíblicos. Alertamos para o fato de que não concordamos ou discordamos, necessariamente, do pensamento do filósofo abaixo retratado.

Eis as palavras de Nietzsche:

"A humanidade aprendeu a chamar a piedade de virtude, quando em todo o sistema moral superior ela é considerada como uma fraqueza".

"Tanto o bom Deus como o Diabo são produtos da decadência".

"O homem religioso não pensa senão em si mesmo".

"O pastor protestante é o avô da filosofia alemã, e o próprio protestantismo, o pecado original. Definição de protestantismo: hemiplegia [paralisia de metade do corpo] do cristianismo – e da razão".

"(…) a espécie mais suja de cristianismo que existe, a mais incurável, a mais irrefutável, o protestantismo...".

"Que interessa a ciência a um padre? Ele se situa muito acima dela! - E até agora o padre tem reinado! - Era ele quem determinava os conceitos de 'verdadeiro' e de 'falso'!"

"É necessário que se saiba que hoje um teólogo, um sacerdote, um papa, cada frase que pronunciam não enganam apenas, mas mentem – e não lhes é dado poder para mentir por 'inocência' ou por 'ignorância'. O sacerdote também sabe, como qualquer pessoa, que já não há 'Deus', nem 'pecado', nem 'Salvador' – que o 'livre-arbítrio', a 'ordem moral universal' são mentiras (…) Todas as ideias da Igreja estão reconhecidas pelo que realmente são, como as piores falsificações existentes, inventadas para desprezar a natureza e os valores naturais; o sacerdote está reconhecido pelo que efetivamente é, a espécie mais daninha de parasita, a verdadeira aranha venenosa da criação...".

"O 'cristão', o que há dois mil anos até hoje é chamado cristão, não é outra coisa senão uma ilusão psicológica. Se o encararmos mais de perto, vemos que, apesar da 'fé', só reinavam nele os instintos – e que instintos! A 'fé' para Lutero, por exemplo, foi sempre uma capa, um pretexto, um véu que cobria o jogo dos instintos, uma engenhosa cegueira perante o domínio de certos instintos...".

"Um 'primeiro cristão' não mancha a quem ataca... pelo contrário, é uma honra ter por adversário os 'primeiros cristãos'. Não se pode ler o Novo Testamento sem notar uma preferência por tudo quanto nele é maltratado".

"O cristianismo foi até o presente a maior desgraça da humanidade. (…) O cristianismo acha-se também em contradição com toda a boa constituição intelectual".

"O budismo é cem vezes mais realista que o cristianismo. (…) O budismo é a única religião autenticamente positiva que a história nos mostra, também incluída aí a sua teoria do conhecimento (um fenomenalismo religioso); ela não diz 'luta contra o pecado, senão, dando total razão à realidade, diz 'luta contra o sofrimento'".

"Nele [no cristianismo] se despreza o corpo, a higiene é rejeitada como sendo sensualidade; a Igreja defende-se até da limpeza. (…) o que é cristão é o ódio contra os sentidos, contra a alegria dos sentidos, contra a alegria em geral...".

"O cristianismo pretende dominar homens ferozes; o meio de o conseguir é torná-lo doentes - o enfraquecimento é a receita cristã para a domestificação, para a civilização".

"E a própria Igreja não é a casa de doidos católicos como último ideal? Toda a Terra, uma casa de doidos? O homem religioso, tal como o quer a Igreja, é um típico decadente (…) a Igreja não canonizou senão desequilibrados ou grandes fascínoras...".

"Que se deduz de tudo isto? Que, para ler o Novo Testamento, é conveniente calçar luvas. Diante de tanta sujeira, tal atitude é necessária. Em vão procurei no Evangelho uma só manifestação simpática; não se encontra nele nada que seja livre, bom, franco, leal. A humanidade não fez ainda nele o seu começo; nele faltam os instintos de limpeza... No Novo Testamento, não existem senão maus instintos, e não há coragem, não há sequer a coragem desses maus instintos. Tudo nele é covardia, olhos fechados, engano voluntário. Qualquer livro parece limpo depois de se ler o Novo Testamento".

"A salvação que há de vir não está demonstrada, mas unicamente prometida".

"O reino de Deus não é algo que se espere, não tem ontem nem amanhã, não vem dentro de 'mil anos' – é uma experiência do coração; está em toda a parte e não está em parte alguma...".

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domingo, 2 de outubro de 2011

MANUSCRITOS DE NAPOLEÃO BONAPARTE REVELAM O MODO PELO QUAL O TIRANO ENXERGAVA DEUS E A RELIGIÃO

Napoleão Bonaparte era um leitor assíduo: gostava de escritores famosos (Tácito e Gibbon, por exemplo) e não se continha ao lê-los: dava sua opinião acerca das obras lidas por ele. Dos autores selecionados por Napoleão, um deles era, inegavelmente, o preferido: Maquiavel.

O Príncipe passou a ser o livro de cabeceira do tirano, tanto que o clássico em questão foi lido muitas vezes por Bonaparte, e o provam as centenas de comentários (precisamente 773) deixados por ele, feitos nas mais variadas fases de sua vida, que vão desde a época em que foi 1º Cônsul ao desterro na Ilha de Elba.

Tratando do poder hereditário, Maquiavel afirmou que o dirigente político deve ser inteligente, e, agindo de tal modo, sempre permanecerá no poder, a menos que uma força superior o prive de tal condição. Sobre isto, Napoleão fez o seguinte comentário:

"A plebe indolente receberá homilias de bispos e padres que eu ordenar, bem como catecismo aprovado pelo núncio apostólico e não resistirá a esssa magia. Não lhe falta coisa alguma, uma vez que o Papa ungiu minha fronte imperial. Sob este ângulo, pareço mais inamovível que qualquer dos Bourbons".

A impressão que temos, por este comentário, é que Napoleão, assim como Platão, acreditava que a religião era importante, pois tinha o poder de manipular e de desarmar, moral e ideologicamente, eventuais inssurretos. No entanto, em outro momento o tirano parece cair em contradição:

"Festas e ofícios religiosos não poderiam servir-me. Sua extinção é compensada com maior utilidade para mim pela pompa de minhas festas civis".

E mais:

"Necessito apenas dos dóceis e jesuíticos, como eu os queria. De vez em quando maltratarei os "Padres da fé".

Abaixo, farei algumas transcrições, umas de Maquiavel e outras de Bonaparte, que comenta as palavras de Maquiavel: Este afirmou:

"Não ignoro como muitos foram e são de opinião de que as coisas do mundo são governadas pelo destino e por Deus, que os homens, com sua prudência, não podem corrigi-lo, de modo que não possuem, assim, nenhum remédio".  Em resposta, diz Napoleão:

"É o método dos preguiçosos ou dos fracos".

Ou seja, para Napoleão, a história não é impulsionada nem por Deus nem pelo destino. Para ele, o homem é o único responsável por seus atos. Voltemos a Maquiavel:

"Esta opinião é a mais aceita em nossos tempos, pelas grandes modificações das coisas, que foram vistas e se veem fora de qualquer conjetura humana. Pensando nisso, algumas vezes, em certas coisas, inclinei-me à opinião deles. Não obstante, para que nosso livre- -arbítrio* não seja em vão, creio poder ser verdade que o destino seja árbitro de metade de nossas ações, mas que nos deixe governar a outra metade, ou quase".

Pelo que se depreende, havia em Maquiavel um pouco de crendices até hoje nada comprovadas: a de que Deus (ou o destino) controla parte de nossos atos, enquanto a outra parte é de livre escolha dos homens. Vejamos o que disse Napoleão acerca do que escreveu o italiano Maquiavel:

"Santo Agostinho não observou melhor o livre-arbítrio*. O meu dominou a Europa e a natureza. Minha sorte, sou eu mesmo".

Por fim, em O Príncipe, Maquiavel cita Moisés, Ciro, Rômulo e Teseu como grandes líderes, e, sobre o primeiro deles, diz que "Embora não se deva citar Moisés, pois foi mero executor daquilo que lhe era ordenado por Deus, deve, entretanto, ser admirado apenas pela graça que o tornava digno de falar com Deus".

Sobre este texto do italiano, Napoleão foi enfático: "Não aspiro a tais alturas, sem as quais, aliás, poderei passar muito bem". Em outras palavras, o general francês assegurava que ele não precisava de Deus para levar adiante seu projeto de conquistar o mundo. Caiu ante o capitalismo inglês!
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* Segundo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o dicionário Aurélio (última edição), há hífen em "livre-arbítrio", embora comumente seja escrito sem o mesmo. Por convenção do Acordo, na translineação de vocábulos hifenizados, adotamos um hífen no final da linha e outro no início da linha seguinte. Mais detalhes sobre tal convenção, acesse meu blog que trata sobre a língua portuguesa: Acordo Ortográfico: Translineação de palavras hifenizadas. Este blog adota o novo Acordo, daí o porquê de termos escrito "veem", sem acento circunflexo.

LEIA MAIS SOBRE O QUE PUBLICAMOS DE NAPOLEÃO:

Napoleão gostava de mulher suja.

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